No calor da discussão anteontem em plenário sobre a legalidade da instalação da Comissão Especial de Investigação da Saúde, o líder governista Cléber Cabeludo (PMDB) usou de um palavreado chulo. Ele discordava do parecer da Procuradoria Geral da Câmara que deu aval para a viabilização da CEI, sem que houvesse no requerimento – segundo sua opinião – um fato específico para análise, e questionou os colegas se não viam nenhum avanço no segmento.
“Será que não melhorou nada, não avançou nada? Será que o dinheiro que veio para cá, para a Secretaria [Saúde], foi jogado no lixo, na merda? Não acredito”, disse Cléber, que não deverá sofrer nenhum tipo de sanção por isso. Presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, o vereador Afrânio Cardoso de Lara Resende (PP) disse não ver motivo para qualquer advertência, “pois foi óbvio que a situação ocorreu no afã do debate, na acirrada troca de ideias, e não foi direcionado a ninguém”.
Cléber admite ter se posicionado de maneira inapropriada, mas pondera que não se dirigiu a uma pessoa especificamente, ao passo que usava da palavra em pleno debate sobre um assunto polêmico. “Não foi intencional. A discussão estava acalorada e acabei por não perceber a situação”, assegura, reiterando que não tem o hábito usar palavras inadequadas no plenário e nem de agir com desrespeito à Casa, à população e aos colegas vereadores.
Já o presidente da Câmara, Luiz Dutra (PDT), vê o caso como “picuinha” e diz, com todas as letras, que “muitas vezes no plenário fala-se coisas piores sem usar palavrão. Foi um ato falho e não vou entrar neste mérito".
No ano passado, Marcelo Borjão (DEM), então no PMDB, enfrentou um procedimento preparatório da Comissão de Ética da Casa porque havia mandado o colega Jorge Ferreira (PMN) tomar no c..., em uma discussão paralela em plena sessão. O áudio com o impropério vazou para a transmissão ao vivo da TV Câmara, sendo que posteriormente o vereador pediu desculpas pelo ato. Para o colegiado, a exposição pública do caso serviu-lhe de punição.