Em reunião ontem na cidade, o presidente da Comissão da Verdade de Minas Gerais, Antônio Romanelli, fez um apelo para a formatação de um grupo local
Em reunião ontem na cidade, o presidente da Comissão da Verdade de Minas Gerais, Antônio Romanelli, fez um apelo para a formatação de um grupo local para dar suporte à apuração dos crimes cometidos na ditadura. A expectativa é assinar um termo de colaboração mútua com a reitoria da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro). “Viemos primeiro nos apresentar e nossos objetivos. Agora queremos solicitar à sociedade de Uberaba que se organize em grupos de trabalho para colaborar com as ações da comissão”, destaca Romanelli. Presente ao evento, a vice-reitora da UFTM, Ana Lúcia de Assis, afirmou que a instituição estará à disposição para colaborar com os trabalhos. Entretanto, não foi acertada data para assinatura do termo de colaboração. A comissão já firmou parceria com a UFU (Universidade Federal de Uberlândia) na última terça-feira (3). Agora, a equipe pretende visitar Juiz de Fora, Governador Valadares e Teófilo Otoni com a mesma proposta. As informações coletadas no Estado vão subsidiar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. O grupo mineiro tem prazo de dois anos para concluir as apurações. De acordo com Romanelli, os crimes de tortura identificados serão encaminhados ao Ministério Público para abertura de processo contra aos autores. Também foi discutida na reunião a criação de um projeto de lei municipal para proibir a denominação de locais públicos em Uberaba a partir de pessoas responsáveis pela repressão na ditadura. A proposta foi defendida pelo ex-vereador de Belo Horizonte, Betinho Duarte, que hoje faz parte da comissão mineira. No discurso, ele aproveitou a presença da diretora de Documentação e Pesquisa da Câmara Municipal, Rochelle Gutierrez, e pediu para que a iniciativa fosse levada para os vereadores. “Por que não dar o nome do Gildo Macedo Lacerda ou de outros militantes às escolas, vias e locais públicos que hoje levam os nomes de militares? Uberaba merece honrar seus verdadeiros heróis”, argumenta. Duarte ainda citou a importância do projeto de lei 3.795/13, que impede que futuras denominações recaiam em nome de pessoas que tenham praticado ou sido historicamente consideradas participantes de atos de lesa-humanidade, tortura ou violação de diretos humanos, notadamente durante o período da ditadura militar. A matéria foi aprovada ontem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e também estabelece a alteração das denominações existentes que contrariem a nova regra, o que abrangeria a Escola Estadual Castelo Branco em Uberaba.