Duas semanas após a presidente da Comissão Permanente de Ética da Câmara Municipal de Uberaba, vereadora Denise Max (PRD), manifestar-se sobre a situação de Almir Silva (Republicanos), o colegiado ainda não recebeu novos documentos para analisar o caso. Segundo apuração do Jornal da Manhã, até o momento foram encaminhados apenas os documentos referentes ao mandado de prisão temporária do vereador.
Com isso, a comissão ainda não iniciou formalmente uma análise sobre a conduta do parlamentar. Além de Denise, integram o colegiado Anderson Dois Irmãos (PSD), relator; Diego Rodrigues (PDT), vogal, e Cleber Júnior (MDB), suplente.
Almir foi preso em Uberaba em 1º de setembro, durante a segunda fase da Operação Caça-Fantasmas, e liberado por decisão judicial três dias depois. Ele é investigado por suspeitas relacionadas a um suposto esquema de funcionários fantasmas e desvio de salários de assessores.
A Câmara determinou o afastamento cautelar do vereador por 90 dias. A medida também retirou Almir da função de relator da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.
Em fevereiro, a Polícia Civil informou a conclusão de um dos inquéritos da operação, com o indiciamento de 18 pessoas e apontamento de prejuízo superior a R$1,16 milhão. Em maio, o Ministério Público de Minas Gerais denunciou Almir e outras quatro pessoas em um dos núcleos da investigação. Segundo o órgão, o grupo teria participado de um esquema envolvendo assessores que recebiam salários sem a correspondente prestação dos serviços.
A denúncia calcula prejuízo superior a R$636 mil nesse núcleo. Conforme o MPMG, três pessoas de uma mesma família teriam ocupado cargos no gabinete entre 2017 e 2025 sem prestarem os serviços correspondentes. O Ministério Público também informou que outra etapa da investigação deveria apurar a possível existência de mais oito supostos funcionários fantasmas ligados ao gabinete, além de eventuais crimes de lavagem de dinheiro.