A Comissão de Ética da Câmara Municipal de Uberaba (CMU) encerrou seu trabalho de apuração sobre o caso que ficou conhecido como cemiterioduto. Agora, o relatório final será entregue hoje aos vereadores, que decidirão em plenário se o caso será arquivado ou se as investigações devem prosseguir.
No dia 12 de março, em plenário, o vereador Marcelo Machado Borges, Borjão (DEM), disse que o prefeito Paulo Piau (PMDB) teria afirmado que oito vereadores (entre eles Borjão) receberam vantagem financeira para votar favoravelmente ao projeto que autorizou a construção de um cemitério particular em Uberaba.
Foi aberta uma sindicância pela Comissão de Ética da CMU para apurar a denúncia de Borjão. O parlamentar foi ouvido, manteve a versão durante o depoimento e acrescentou que durante a conversa com Piau estavam presentes os secretários Fernando Hueb (chefe de gabinete) e Rodolfo Cecílio Turkinho (Governo).
Piau foi convidado a comparecer perante a Comissão de Ética da CMU, no dia 1º de abril, mas preferiu enviar um ofício, através do qual negou que tivesse insinuado qualquer ação irregular por parte dos vereadores. Depois de novo convite, o procurador-geral do município, Paulo Salge, esteve no colegiado, representando o prefeito, e entregou novo ofício. Mais uma vez, Piau disse “que não fez qualquer tipo de acusação a quem quer seja”. Ele ainda destacou a boa relação que mantém com o Legislativo.
Os secretários também foram à Câmara, mas não prestaram depoimento, apenas protocolaram ofício, através do qual confirmam a versão do prefeito Paulo Piau, de que nenhuma referência foi feita sobre pagamento de vantagens a vereadores para votação de projetos.
O presidente da Comissão de Ética, vereador Samuel Pereira (PR), disse que agora caberá ao plenário decidir o que fazer. “Vou apresentar um relatório ao plenário, com todos os detalhes sobre o que foi feito pela comissão. A partir daí o plenário é soberano para decidir o que será feito”, explicou Samuel. Ele enfatizou que nada foi constatado que pudesse comprovar a acusação feita por Borjão. “Pedimos provas e nenhuma foi apresentada. O fato foi negado pelo prefeito e por mais duas pessoas que também estiveram no encontro. Agora, cabe ao plenário decidir sobre o que fazer”, frisou Samuel Pereira.