Após vários embates e suspensão dos trabalhos ao longo do dia, a comissão especial de impeachment começou somente no fim da tarde de ontem a ouvir as testemunhas inscritas pela acusação e senadores. Cinco depoimentos estavam programados, mas apenas o procurador do Tribunal de Contas da União (TCU), Júlio Marcelo de Oliveira, tinha sido ouvido até o fechamento desta edição, quando depunha a segunda testemunha de acusaçã o auditor fiscal do TCU Antônio Carlos Costa DAvila.
O grupo retoma os trabalhos hoje, quando devem ser colhidos os depoimentos do restante das testemunhas inscritas pela acusação e demais senadores.
A reunião ontem foi aberta com discussões sobre questões preliminares. Uma delas foi o pedido da defesa para que o processo de impeachment aguardasse a manifestação do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as contas do governo Dilma de 2015. O pedido da defesa não foi atendido.
A quantidade de decretos a serem considerados para efeitos de acusação foi outro ponto debatido. Defesa e acusação chegaram ao consenso de que devem ser levados em conta quatro dos seis decretos de suplementação orçamentária expedidos pela presidente Dilma Rousseff sem anuência do Parlamento.
Ainda ontem, a comissão do impeachment rejeitou pedido da defesa de Dilma Rousseff para realizar perícia nos decretos suplementares e nas "pedaladas fiscais". A decisão gerou um longo debate entre os senadores e obrigou o presidente Raimundo Lira (PMDB-PB) a suspender os trabalhos por alguns minutos.
Os parlamentares favoráveis ao impeachment da petista alegaram que seria perda de tempo e desperdício de dinheiro público, sem falar na impossibilidade de se fazer uma perícia bem feita num curto espaço de tempo.
Já o ex-ministro José Eduardo Cardozo, advogado de Dilma no processo, rebateu dizendo que a perícia jogaria por terra os argumentos da acusação. Após o resultado da votação, ele prometeu recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).