POLÍTICA

Contrariando o isolamento, milhares se aglomeram em Brasília em ato pró-Bolsonaro

Manifestantes chegaram a agredir jornalistas durante o ato; fotógrafo do Estadão chegou a ser derrubado e chutado nas costas

Publicado em 03/05/2020 às 19:34Atualizado em 18/12/2022 às 06:00
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Foto/Reprodução Facebook

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro ignoraram as medidas de proteção em tempos de coronavírus e se aglomeraram em frente à rampa do Palácio do Planalto em manifestação de apoio ao presidente da República. Também alheio às recomendações da Organização Mundial da Saúde, Bolsonaro desceu a rampa e desfilou a pé diante dos manifestantes. Uma grade separava o presidente de seus apoiadores. Nem Bolsonaro nem sua filha, Laura, que acompanhava na manifestação, usavam máscaras. Laura, que tem 9 anos, caminhou a uma pequena distância da grade, de mãos dadas com o pai. O Brasil já tem mais de 100 pessoas contaminadas pela covid-19 e mais de 7.500 mortes, números que não parecem preocupar o presidente e seus seguidores.

O ato deste domingo (3) começou com uma carreata ainda pela manhã. Contudo, no início da tarde, pessoas deixaram seus veículos e se juntaram em frente à rampa do Planalto. Entre os manifestantes, várias faixas de “Fora Maia” e “Fora STF”, em ataques ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e ao Supremo Tribunal Federal. A manifestação teve o intuito de ser uma espécie de resposta dos apoiadores do presidente no dia seguinte ao depoimento de Sérgio Moro, o mais novo desafeto de Bolsonaro.

“Vamos tocar o barco. Peço a Deus que não tenhamos problemas esta semana. Porque chegamos no limite. Não tem mais conversa. Daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição. Ela será cumprida a qualquer preço. E ela tem dupla mão, não é de um lado só não. Amanhã nomeamos novo diretor da PF e o Brasil segue seu rumo”, afirmou o presidente. A fala foi entendida nos bastidores como um recado ao STF.

Ainda no fim de semana, no sábado (2), Bolsonaro saiu do Palácio do Alvorada e visitou cidades de Goiás. Desrespeitando completamente todas as recomendações de isolamento social, o presidente causou aglomerações, abraçou pessoas e disse que as medidas de proteção são "uma irresponsabilidade". AGRESSÃO A JORNALISTAS

Durante o ato pró-Bolsonaro, manifestantes se indignaram com a presença de jornalistas, que cobriam o ato na rampa do Palácio do Planalto. Enquanto o presidente acenava para apoiadores, o grupo passou a dirigir ofensas ao repórter fotográfico Dida Sampaio, de O Estado de S. Paulo, que fazia registros do momento.

Um grupo se formou ao redor do fotógrafo, que foi derrubado duas vezes, chutado pelas costas e ainda tomou um soco no estômago. Além de Sampaio, o motorista Marcos Pereira, que prestava apoio à equipe do Estadão, também foi agredido. Outros repórteres e profissionais de imprensa foram então empurrados e ofendidos verbalmente.

Bolsonaro foi alertado sobre a confusão envolvendo jornalistas enquanto ele tecia críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao Congresso. "Expulsaram os repórteres da Globo, expulsaram os repórteres", disse uma pessoa ao presidente.

Bolsonaro respondeu: "Pessoal da Globo vem aqui falar besteira. Essa TV foi longe demais", disse, sem repudiar as agressões aos repórteres. Enquanto isso, apoiadores cercaram um grupo de repórteres que tentavam se locomover. REPÚDIO À AGRESSÃO

O presidente Jair Bolsonaro pode não ter repudiado a agressão contra os jornalistas, que aconteceu justamente no dia mundial de Liberdade de Imprensa. Mas os excessos cometidos pelos manifestantes contra profissionais que trabalhavam no momento do ato foram repercutidos em larga escala.

Ministros do STF publicaram nas redes sociais repúdio contra as agressões. Cármen Lúcia afirmou que "quem transgride e ofende a liberdade de imprensa, ofende a Constituição, a democracia e a cidadania brasileira". Segundo Cármen Lúcia, isso "significa atuar de maneira inconstitucional".

Outro ministro do STF, Gilmar Mendes, afirmou que "a agressão a jornalistas é uma agressão à liberdade de expressão e uma agressão à própria democracia". "Isso tem que ficar claro", completou.

O ministro Alexandre de Moraes afirmou que o episódio deve ser repudiado "pela covardia do ato e pelo ferimento à Democracia e ao Estado de Direito".

"As agressões contra jornalistas devem ser repudiadas pela covardia do ato e pelo ferimento à Democracia e ao Estado de Direito, não podendo ser toleradas pelas Instituições e pela Sociedade", disse Moraes em postagem no Twitter.

O também ministro do STF, Luís Roberto Barroso, defendeu a liberdade de imprensa e o jornalismo profissional como forma de combater o "ódio, a mentira e a intolerância".

"Dia da liberdade de imprensa. Mais que nunca precisamos de jornalismo profissional de qualidade, com informações devidamente checadas, em busca da verdade possível, ainda que plural. Assim se combate o ódio, a mentira e a intolerância", postou Barroso em uma rede social.

*Com informações jornais Estado de Minas, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo

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