O atraso nas entregas das correspondências por parte dos Correios foi tema de debate na reunião ordinária de ontem na Câmara Municipal de Uberaba (CMU). O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Uberaba e Região (Sintect/URA), Wolnei Cápolli Dias, fez uso da Tribuna Livre para esclarecer à população sobre as muitas reclamações recebidas pela ECT.
O gerente regional de vendas da ECT, João Francisco de Sousa, também participou da sessão. A princípio, deveria ser uma Tribuna Livre, apenas para a fala de Dias, mas acabou se tornando um debate, com a intervenção de praticamente todos os vereadores. Recentemente, Marcelo Borjão (sem partido) apresentou requerimento em que cobrava explicações da ECT.
Durante sua fala, Wolnei Cápolli, lembrou que os Correios enfrentam a sobrecarga de trabalho em todos os setores da empresa e não somente dos carteiros. De acordo com ele, os Correios em Uberaba contam com pouco mais de 70 carteiros para fazer o trabalho que seria de mais de 150 trabalhadores. Ainda segundo ele, "os trabalhadores dos Correios vêm sofrendo, há tempos, com o preconceito e a falta de informação de parte da população, que culpa a categoria pelos atrasos nas correspondências”, informa o dirigente.
Wolnei Cápolli ainda informou que somente entre os anos de 2012 e 2014 os Correios gastou R$744 milhões em patrocínios esportivos, enquanto o sistema de atendimento continua obsoleto. “Ainda informaram que têm em caixa dinheiro para pagar a folha de pagamento até setembro. É um absurdo para uma empresa que faturou R$10 bilhões”, disse.
Muitos vereadores reclamaram que, em especial nos novos residenciais, os moradores não têm recebido suas correspondências. Alguns precisam se deslocar à agência central da ECT para checar se algum material lhes foi enviado.
O vereador Kaká Se Liga (PR) disse que há pouco tempo houve uma articulação política para que Uberaba perdesse o centro de tratamento de cartas e encomenda, que gera 200 empregos, com uma média salarial de R$3 mil. “E sabe para onde iríamos perder? Para Uberlândia. Nós estivemos em Brasília reunidos com a direção dos Correios e conseguimos, a princípio, reverter”, revelou Kaká.
Borjão disse que é necessário que a Câmara convide o diretor de distribuição para explicar o motivo dos atrasos na entrega das correspondências.