Pesquisa Datafolha realizada nos últimos dias de novembro mostra rejeição recorde do brasileiro aos seus representantes no Congresso Nacional. São 60% da população nacional que consideram ruim ou péssimo o desempenho dos atuais 513 deputados federais e 81 senadores. A aprovação atingiu o pífio patamar de 5%, também o pior número já registrado.
O levantamento foi feito pouco depois de um mês da votação na Câmara Federal que barrou a segunda denúncia criminal contra o presidente Michel Temer, que goza de alta impopularidade entre os brasileiros.
A reprovação bate novo recorde, aumentando dois pontos percentuais em relação à já reprovação recorde do Congresso apontada nos dois últimos levantamentos do instituto, realizados em dezembro de 2016 e abril de 2017, ficando no limite da margem de erro
Vale dizer que a série de pesquisas do Datafolha que analisa o desempenho dos congressistas, iniciada em 1993, mostra que a atual legislatura é, na média, a mais mal avaliada desde quando se tem registro. De 2015 até agora o índice de reprovação nunca ficou abaixo dos 41%; já a aprovação jamais foi maior do que 12%. Nas seis legislaturas anteriores os resultados também foram em geral negativos, mas nunca com indicadores tão ruins.
Nos últimos 25 anos, a única vez que o instituto apontou avaliação positiva dos congressistas numericamente superior à negativa foi em dezembro de 2003, primeiro ano da primeira gestão de Lula (2003-2010). Os deputados e senadores eleitos em 2014 iniciaram o mandato sob a batuta, na Câmara, do polêmico Eduardo Cunha (RJ).
Conservadores. A atual configuração mostra um Congresso Nacional mais conservador do que os anteriores, com atuação relevante das bancadas religiosa, ruralista e da "bala". Dos 2.765 entrevistados, a reprovação ao trabalho dos parlamentares federais apresenta números ainda maiores em alguns segmentos: entre eles, os mais ricos (74%), os com ensino superior (75%), os eleitores do presidenciável Jair Bolsonaro (68%) e os que reprovam a gestão de Michel Temer (69%).
Em contrapartida, uma avaliação menos negativa dos congressistas é observada entre aqueles com ensino fundamental (52%), os de religião evangélica pentecostal (51%) e os que têm o PMDB como partido de preferência (42%) ou avaliam positivamente o governo Temer (37%).
*Com informações da Folha de S. Paulo