A eleição terminou, as urnas foram apuradas e, agora, começa uma segunda conta que interessa diretamente ao eleitor: quanto cada voto custou para os candidatos de Uberaba que disputaram uma vaga de deputado por Minas Gerais. Levantamento feito pelo Jornal da Manhã com os dados disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra diferenças expressivas entre as campanhas de candidatos com base em Uberaba.
Para chegar ao valor, foi considerada a relação entre as despesas contratadas declaradas pelos candidatos e o total de votos obtidos em Minas Gerais. Os dados, porém, ainda não são definitivos. As informações disponíveis no sistema do TSE têm datas diferentes de atualização, que vão de 10 de setembro a 5 de outubro, e os candidatos ainda precisam apresentar a prestação de contas final.
Entre os nomes de Uberaba que disputaram vaga de deputado estadual, Tony Carlos (PSDB), único eleito entre os candidatos relacionados no levantamento, apresentou um dos menores custos por voto. Com 56.546 votos em Minas Gerais e R$ 87.102,50 em despesas contratadas na atualização de 2 de outubro, o custo informado foi de aproximadamente R$ 1,54 por voto. Em Uberaba, Tony recebeu 53.366 votos, o equivalente a cerca de 94% de sua votação total no Estado.

Outro candidato com votação expressiva na cidade, Cabo Diego (PL), teve 40.786 votos em Minas, dos quais 33.926 foram em Uberaba, e informou R$ 342.390,74 em despesas contratadas na atualização de 3 de outubro. O cálculo aponta R$ 8,39 por voto.
Ismar Marão (PSD) recebeu 17.836 votos em Minas, sendo 16.554 em Uberaba. Com R$ 170.599,37 em despesas pagas, conforme atualização de 5 de outubro, o custo foi de aproximadamente R$ 9,56 por voto.
Entre os demais candidatos a deputado estadual, Patrícia Melo (PT) teve 35.501 votos no Estado e 11.152 em Uberaba. Com R$ 394.939,70 em despesas contratadas, o custo ficou em R$ 11,12 por voto. Já Heli Grilo (PL), com 14.385 votos em Minas, sendo 4.529 na cidade, informou R$ 379.226,50 em despesas, chegando a R$ 26,36 por voto.
A diferença cresce entre candidaturas com votação menor. Denise da Supra (PRD) teve 2.146 votos em Minas e R$ 313.631,79 em despesas contratadas, o equivalente a R$ 146,15 por voto. Lidiane Dantas (PL) teve 1.178 votos e R$ 256.103,48 em despesas, chegando a R$ 217,41 por voto, o maior valor entre os candidatos relacionados.
Na disputa para deputado federal, Mariscal (PSDB) terminou com 45.921 votos em Minas, sendo 40.972 em Uberaba. A campanha informou R$ 617.308,24 em despesas contratadas. O custo foi de aproximadamente R$ 13,44 por voto.
Franco Cartafina (Podemos) teve 32.823 votos no Estado, 26.749 deles em Uberaba, e declarou R$ 584.822,99 em despesas contratadas. O cálculo aponta R$ 17,82 por voto. Já Anderson Adauto (PV) recebeu 26.193 votos em Minas, sendo 16.511 em Uberaba. Na atualização de 5 de outubro, declarou R$ 298.537,55 em despesas contratadas, o que representa R$ 11,40 por voto.
Mauricinho Sá (PSD) teve 14.767 votos no Estado e 11.594 em Uberaba. Com R$ 301.118,01 em despesas contratadas, chegou a R$ 20,39 por voto. Entre os candidatos com votação menor, Carlão Agora (PRD) registrou 1.699 votos e R$ 55.640,50 em despesas, ou R$ 32,75 por voto. Ana Lacerda (PSB) teve 638 votos e R$ 40 mil em despesas, chegando a R$ 62,70 por voto.

As cifras chamam atenção porque campanha eleitoral está longe de ser uma atividade barata. E boa parte do dinheiro que circula nas eleições brasileiras tem origem pública.
Em 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, recebeu R$ 4,961 bilhões para financiar as campanhas. O TSE define o FEFC como um fundo público destinado ao financiamento das candidaturas. Os recursos são provenientes do orçamento da União.
Isso significa que o eleitor não está diante apenas de uma disputa política nas urnas, mas também de uma movimentação milionária de recursos - em sua maioria, públicos. No caso dos candidatos analisados pelo JM, entretanto, os valores totais recebidos não permitem afirmar que todo o dinheiro veio do Fundo Eleitoral. As campanhas também têm outras fontes legais de recursos, e a origem de cada verba precisa ser observada individualmente na prestação de contas.
Somados os recursos declarados pelos candidatos da lista, são mais de R$ 7 milhões recebidos até as respectivas datas de atualização. As despesas contratadas ultrapassam R$ 4,5 milhões. Os valores ainda podem aumentar ou ser ajustados até o encerramento da prestação de contas.
É justamente por isso que os números precisam ser lidos como um retrato da campanha até a última atualização disponível no TSE, e não como o resultado financeiro definitivo das candidaturas.
As datas variam bastante. Há informações atualizadas em setembro e outras em 1º, 2, 3 e 5 de outubro. No caso de candidatos que aparecem com R$ 0 em recursos e R$ 0 em despesas, por exemplo, isso não significa necessariamente que a campanha tenha terminado sem qualquer movimentação. Significa que o sistema apresentava aquele valor na data informada no levantamento.
A prestação de contas final do primeiro turno deverá ser apresentada à Justiça Eleitoral até 3 de novembro, 30 dias depois da votação de 4 de outubro. Candidatos que eventualmente disputem o segundo turno têm prazo próprio, até 14 de novembro, para apresentar as contas referentes aos dois turnos.
Até lá, o eleitor ainda poderá acompanhar a evolução dos números no sistema da Justiça Eleitoral.