À medida que cresce o debate em torno da criação da Região Metropolitana do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (RMTM) (Projeto de Lei Complementar 32/12) novas sugestões vão sendo apresentadas à proposta original, assim como os contrários a ela vêm se colocando mais claramente. É o caso do deputado estadual Hely Tarquínio (PV). Natural de Uberaba, mas cuja carreira política foi construída a partir de Patos de Minas, sua base eleitoral, o parlamentar diz claramente que é contra.
“Até o termo metropolitana é incorreto porque a conurbação não existe”, aponta Tarquínio, um dos 12 deputados da bancada do Triângulo e Alto Paranaíba. Nesse sentido, tramita na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), paralelamente ao PLC 32/12, o Projeto de Lei Complementar 16/11, de autoria do deputado Neilando Pimenta (PHS), que visa alterar a Lei Complementar 88/2006, segundo a qual apenas cidades conurbadas podem se integrar como metrópole.
Segundo Tarquínio, Patos de Minas é uma cidade-polo que precisa marchar pelas suas próprias pernas em sintonia com as coirmãs para formar a constelação do Alto Paranaíba. “Nosso cenário geográfico é diferente e quem faz a história é a geografia; é quem norteia a história da existência do homem”, aponta o deputado, que seguindo essa linha de raciocínio sugere integrar com o Noroeste de Minas. Para ele ainda, “essa integração tem um recado partidário que, me parece, está colocado de forma subliminar...”.
Ele não quis detalhar a afirmação. O PLC 32/12 é de autoria da deputada estadual Liza Prado (PSB), cuja base eleitoral é em Uberlândia. Seu colega de partido e de parlamento Antônio Lerin coloca outra vertente que deve movimentar o debate em torno do projeto. Ele sugere a criação da macrorregião do Triângulo, ou seja, que a palavra metropolitana seja retirada do projeto porque vem sendo criada a RMTMAP, “obviamente terá que ter uma metrópole e temos que assumir a grande liderança de Uberlândia, não só em número de habitantes e eleitores, mas dentro da sua renda per capita”.
Conforme Lerin, a divisão em duas macrorregiões, de Uberaba e Uberlândia, vai contemplar os anseios da população local, arremata o deputado, que reforça a importância do debate para chegar a um ponto final.
A criação da RMTMAP foi debatida em dez Audiências Públicas promovidas pela Comissão de Assuntos Municipais da ALMG, sendo uma na capital e as demais na região. Semana passada foi firmado termo de cooperação entre as Universidades Federais do Triângulo Mineiro (UFTM) e de Uberlândia (UFU), e Universidade Estadual de Minas Gerais/Campus Patos de Minas com as cinco associações microrregionais que representam os municípios envolvidos com a proposta, para elaboração do estudo de viabilidade.
Elas terão 60 dias para concluir o trabalho. “Estamos num esforço enorme”, assegura Liza Prado, destacando que somente com o estudo em mãos o projeto passará à Comissão de Legislação e Justiça e demais comissões de mérito na ALMG. Quanto à sugestão para incluir o Noroeste de Minas na RMTMAP, a deputada foi econômica: “Se depois for concluído que tem que entrar, é só fazer emenda ao projeto”. Presidente da Assembleia, o deputado Dinis Pinheiro (PSDB) admite que escuta algumas inquietações, “que são menores”. Porém, reforça que de forma geral tem observado apoios expressivos e cada vez mais crescentes pela aprovação do projeto.