Base aliada no Congresso Nacional acredita que as propostas apresentadas por Temer deverão ficar na geladeira até o esclarecimento das denúncias em torno do peemedebista
Deputados federais Marcos Montes e Aelton Freitas entendem que reformas saem da pauta de discussão no momento
A crise envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) repercutiu na agenda do governo para a votação das reformas da Previdência e trabalhista. Base aliada no Congresso Nacional acredita que as propostas apresentadas por Temer deverão ficar na geladeira até o esclarecimento das denúncias em torno do peemedebista.
A votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados estava prevista para início de junho, mas o relator da proposta, o deputado Arthur Maia (PPS-BA), já manifestou não haver condições de avançar no momento. O mesmo declarou o senador Rodrigo Ferraço (PSDB-ES), relator do projeto da reforma trabalhista no Senado.
Líder do PSD na Câmara, o deputado federal Marcos Montes ressalta que as reformas são importantes para o país, mas argumenta que os projetos poderiam ser rejeitados em plenário por causa do atual cenário. Por isso, ele defende que os parlamentares devem agir com cautela. “A votação tem que ser imediatamente suspensa. Não há condições psicológicas, técnicas ou políticas de se votar essas reformas. Corremos o perigo de ser derrotados”, declara.
MM afirma que o ideal será aguardar o julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da ação que pede a cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, acusada de ter cometido abuso de poder político e econômico por supostamente receber dinheiro de propina do esquema de corrupção que atuava na Petrobras. O processo está programado para julgamento no dia 6 de junho. “Quem sabe, a partir dessa decisão da Justiça, a gente possa voltar à normalidade. Pela decisão do TSE, teremos o caminho para seguir. É prudente ter esse momento de reflexão e de serenidade. Precisamos nos debruçar sobre as reformas com um pouco mais de governabilidade”, salienta. Questionado se a suspensão empurraria a votação das propostas para o segundo semestre por causa do recesso parlamentar, Montes afirma que o Congresso pode decidir não interromper as atividades em plenário e retomar o debate das reformas em julho.
Já o deputado federal Aelton Freitas (PR) afirma que haverá uma reunião na próxima semana da bancada republicana para avaliar a situação. Ele também acredita que a crise política vai atrasar a votação das reformas, mas prefere não citar datas para retomar o debate dos projetos. “Já estava muito difícil [votar]. Agora ficou muito mais. As reformas precisam acontecer, mesmo que ocorram novas eleições. Mas precisamos esperar a poeira baixar para ver o que ficou de pé”, declara. Para Aelton, as denúncias não inviabilizariam a permanência de Michel Temer no governo. “A opinião pública está contra ele e isso é ruim, mas seria melhor ele continuar do que realizar uma eleição indireta”, disse, minimizando o teor das gravações.
Ontem, o STF liberou os vídeos e os documentos da delação do empresário Joesley Batista, dono da J&F, empresa que controla o frigorífico JBS. Na delação, o executivo afirmou à Procuradoria Geral da República que seu grupo pagou R$500 milhões em doações eleitorais a políticos nos últimos 15 anos. O empresário disse ainda que, a pedido de Temer, aceitou fazer pagamentos totais de R$4,7 milhões, de 2010 a março de 2017, para atrasar a Lava-Jato. No pedido de abertura de investigação sobre Michel Temer, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vê indícios da existência de três crimes: obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa.