Os parlamentares mineiros garantem existirem provas suficientes para que se abra um inquérito em nome do senador tucano
O deputado estadual em Minas Gerais Rogério Correia e os deputados federais Padre João e Adelmo Carneiro Leão, todos do PT mineiro, estiveram na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, onde foram recebidos no gabinete do procurador-geral Rodrigo Janot. Os parlamentares fizeram uma representação solicitando a inclusão do senador Aécio Neves (PSDB) nas investigações da Operação Lava Jato.
Os parlamentares garantem existirem “provas suficientes” para que se abra um inquérito em nome do senador tucano. Foi divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) o vídeo em que o doleiro Alberto Youssef afirma ter ouvido do ex-deputado federal José Janene (PP – morto em 2010) e do presidente da empresa Bauruense, Airton Daré, que o tucano Aécio Neves dividiria uma diretoria de Furnas com o PP e que uma irmã dele faria a suposta arrecadação de recursos.
De acordo com o vídeo divulgado pelo STF, o doleiro Youssef afirma que a propina teria sido paga entre 1996 e 2000 – durante o governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Janene arrecadava entre US$100 mil e US$120 mil mensais, com pagamentos em espécie, em dólares ou reais. O doleiro disse ter ouvido o então deputado Janene afirmar que a diretoria de Furnas seria dividida com o PSDB, mais especificamente com Aécio Neves.
Alberto Youssef teria dito também que a empresa Bauruense não podia repassar mais recursos a Janene. “Ele [Daré] estava discutindo valores com o seu José [Janene] e dizia: ‘Não posso pagar mais porque tem a parte do PSDB’. Aí você acaba escutando”, afirmou o doleiro. O secretário da PGR, Peterson de Paula Pereira, recebeu as denúncias e se prontificou a dar encaminhamento a elas.
Os deputados disseram esperar que Ministério Público Federal entenda a necessidade de abertura de inquérito para investigar o senador Aécio Neves e que o caso não tenha desfecho semelhante ao ocorrido com o aeroporto de Cláudio, negligenciado pelo Judiciário brasileiro.
Aécio nega as acusações. Através de nota, o senador afirma que a “lista de Furnas” é uma das mais conhecidas fraudes da política brasileira, que surgiu como tentativa de desviar a atenção da opinião pública durante a apuração do caso do mensalão.