POLÍTICA

Desastre de Mariana faz parar tratamento de água em Uberaba

Empresa teria atrasado a entrega do sulfato de alumínio em virtude da grande demanda do produto para tratamento de água nas cidades atingidas pelo rompimento de barragens

Gisele Barcelos
Publicado em 19/11/2015 às 09:11Atualizado em 16/12/2022 às 21:14
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Foto/Reprodução

Fac-símile de documento enviado ontem pela empresa fornecedora do sulfato de alumínio, admitindo falha no sistema de entrega do produto

Apesar das chuvas nos últimos dias, o abastecimento de água ficou comprometido em Uberaba ontem. O funcionamento da estação de tratamento foi interrompido por 16 horas por falta de sulfato de alumínio, um produto utilizado na preparação da água para o consumo. A distribuição de água aos bairros também foi suspensa temporariamente para evitar a queda exagerada dos níveis dos reservatórios.

A entrega do produto químico estava programada para o dia 13 de novembro, mas o carregamento chegou apenas na noite de ontem, após a empresa fornecedora ser notificada pelo atraso. A carga de 26 mil quilos de sulfato de alumínio foi entregue por volta de 19h. Com o fornecimento normalizado, a estação de tratamento de água já voltou a funcionar para retomar o abastecimento da cidade.

No entanto, o presidente do Codau, Luiz Guaritá Neto, pondera que a interrupção do tratamento de água ontem impactou o nível dos reservatórios e será necessário prazo para regularizar o fornecimento de água aos bairros. A previsão é que o serviço esteja normalizado até sábado (21). “Esse período que ficamos sem o tratamento de água vai afetar a distribuição nos próximos três dias até que o sistema seja regularizado. Então, pedimos à população que faça o uso racional da água”, alerta.

Quanto ao atraso na entrega do sulfato de alumínio, Guaritá justifica que o fornecedor priorizou o atendimento à demanda dos municípios atingidos pelo rompimento da barragem da Samarco, já que nesta semana foi retomado o tratamento da água do rio Doce. “Toda produção está sendo canalizada para a região de Mariana. O produto está escasso e acabamos sendo penalizados”, salienta.

Guaritá explica que um pedido de 52 mil quilos de sulfato de alumínio foi realizado no dia 9 de novembro à Bauminas Química, empresa contratada para fornecer o sulfato de alumínio. A entrega estava programada para ser feita em duas partes, nos dias 13 e 17 de novembro, mas o prazo não foi cumprido e o estoque reserva do produto acabou. Ele também argumenta que as chuvas ocorridas nas últimas semanas em Uberaba levaram a um aumento do consumo diário do sulfato de alumínio para manter o padrão de limpidez da água. No entanto, ele assegura que a questão não seria um problema se a empresa tivesse entregado o pedido nas datas previstas.

Guaritá informa que uma notificação extrajudicial foi encaminhada ontem à Bauminas Química em função dos problemas causados no abastecimento. “Temos estoque para 15 dias. A entrega é feita, geralmente, dois dias após o pedido. Ou seja, nós temos 13 dias de folga. Não foi suficiente pela inadimplência da empresa”, ressaltou.

Procurada, a empresa não se manifestou sobre o assunto à imprensa. Em comunicado enviado ao Codau, a Bauminas admitiu somente que houve “falha de sistema no atendimento à programação de entrega do cliente”. A fornecedora não informou se a situação ocorreu por causa da demanda pelo produto para o abastecimento na região de Mariana.

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