Campos deixou a cidade depois de seis horas de intensas atividades, com pausa para almoço no Parque Fernando Costa, e para comprar um par de sapatos, em um estande no aeroporto
Ao cumprir agenda ontem na ExpoZebu em Uberaba, o pré-candidato do PSB à Presidência da República, ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, disse aos ruralistas que veio à cidade para ouvir o segmento do agronegócio, com o propósito de construir seu programa de governo. “Nossa presença aqui é no sentido de mostrar claramente a disposição para o diálogo, para absorver no programa aquilo que seja inovador para a pecuária e fortaleça a atividade”, afirmou o pessebista, que chegou à cidade por volta de 9h30, visitou as instalações do laboratório Geneal/Embrapa e depois seguiu para o Parque Fernando Costa, onde acontece a feira. Campos reuniu-se a portas fechadas com os ruralistas e também com prefeitos, vereadores e lideranças políticas de 11 cidades da região, entre as quais São Gotardo, Conquista, Sacramento, Comendador Gomes, Douradoquara, Campo Florido e Perdizes, que atenderam ao chamado do deputado estadual Antônio Lerin (PSB). O presidenciável disse a eles que a sociedade está atrás de quem apresente caminhos para melhorar a economia, a segurança, para tirar o Brasil do caminho errado, do baixo crescimento, da inflação em alta, juro alto. “A campanha política exige esse ano que os candidatos apresentem ideias àquela velha briga nós e eles [em alusão à polarização nos últimos anos entre PT e PSDB] que não é mais suficiente para que a sociedade preste atenção”, afirmou Campos, que durante a reunião foi ladeado pelo presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Luiz Cláudio Paranhos, e o pecuarista e empresário Jonas Barcellos, presidente de honra da ExpoZebu 2014. Campos, porém, não escapou de questionamentos quanto à escolha da vice-presidente na chapa pura do PSB, a ex-ministra Marina Silva (leia mais nesta página). “Vim aqui discutir programa, conceito, a valorização de um segmento da economia que precisa de um olhar efetivo do governo, um governo que dialogue e é natural que tenha pessoas que nos apoiem e que apoiem outras candidaturas”, colocou o pré-candidato. Ainda segundo ele, o problema do setor é a falta de infraestrutura, de recursos no Ministério da Agricultura. “O problema do setor não é a discussão da Marina”, completou Campos, assinalando ainda que o debate em Uberaba não é eleitoral, é de programa, de apresentação “das nossas ideias”. Se tem alguém que expressa preocupação [com o nome da vice], ouviu de outro lado que estamos abertos ao diálogo, a construir um programa de governo que será cumprido. Não temos nenhum preconceito com quem faz a pecuária e agricultura no Brasil, até porque para ganhar mercado lá fora precisa ter compromisso com a sustentabilidade e temos muitos pecuaristas no Brasil cumprindo rigorosamente as melhores práticas de relação do trabalho com a questão ambiental, e essa possibilidade de diálogo é que vai tirar preconceitos de parte a parte”, ressaltou. Campos deixou a cidade depois de seis horas de intensas atividades, com pausa para um almoço no Parque Fernando Costa, e para comprar um par de sapatos, em um estande no aeroporto. O calçado, preto, de couro, custou R$200 e foi pago à vista. Mesmo um número menor do que o pé do presidenciável – ele calça 44 –, o modelo foi adquirido “porque vai lassear”. Antes de embarcar, Eduardo Campos disse que só vai “tirar o sapato quando subir a rampa do Planalto”.