Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, ainda chama a atenção a diferença entre os sexos masculino e feminino sob diversos aspectos, sempre em desvantagem para as mulheres, que, mesmo em postos iguais, ganham menos que os homens (25,6% em média, de acordo com a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe/Cepal), ocupam menos cargos de chefia e, na política, estão em minoria nas chefias de Executivos e nos parlamentos. Na Câmara Municipal de Uberaba (CMU), o panorama não é diferente. Ao longo da história deste parlamento, apenas seis mulheres foram eleitas para a vereança. A primeira a conquistar um cargo no Legislativo local foi Helena de Brito, no já distante ano de 1951 (conforme projeto Memória Viva da CMU). Nessa mesma legislatura estavam Álvaro Barra Pontes, Américo Abdanur Racy, Antônio Dal Secchi, Ataliba Guaritá Neto, Cláudio Moreira de Almeida, Jaime Matheus, José Humberto Rodrigues da Cunha, José Inácio de Oliveira, Manoel Gonçalves de Freitas, Ranulfo Borges do Nascimento, Roberval Alcebíades Ferreira e Wilson de Paiva. Mas, a CMU só teria novamente a presença feminina após 32 anos. Em 1983, foram eleitas duas vereadoras: Patrícia Zaidan e Lélia Inês Teixeira. Mas Patrícia renunciou após dois anos de mandato e em seu lugar assumiu o suplente Lélio Oliveira. Daí foram mais 14 anos, até que novamente a presença feminina ganhasse espaço na Câmara Municipal, com a eleição da ex-primeira-dama Teresinha Cartafina (esposa do ex-prefeito Silvério Cartafina). Ela foi eleita na legislatura de 1997/2000. Na última vez que a cidade contou com 19 vereadores, na legislatura de 2001/2004, Teresinha conseguiu a reeleição e, com ela, também foi eleita a professora Marilda Ribeiro. Juntas, participaram de uma Comissão Especial de Investigação (CEI), que apurou desvio de recursos na Fundação Cultural de Uberaba (FCU) e Arquivo Público Municipal. Na legislatura seguinte, de 2005/2008, já com 14 vereadores (como está até hoje), apenas Marilda Ribeiro conseguiu retornar a CMU. De 2009 a 2012, nem uma mulher foi eleita. A então suplente Denise Max assumiu o posto de vereadora no meio do mandato, após a saída de Tony Carlos para ocupar a cadeira de deputado estadual. O fato ocorreu na legislatura 2013/2016. Denise, que defende a causa animal, foi eleita em outubro do ano passado e é a única representante do sexo feminino na CMU, na Legislatura 2017/2020. Agora, ela garante que irá assumir também a bandeira da luta pelos direitos da mulher no Legislativo. Vale lembrar que a primeira legislatura na Câmara de Uberaba aconteceu em 1837. São 180 anos em que a participação da mulher é muito pequena. Mais ainda, vale lembrar que nem uma delas chegou à presidência da Casa. Neto Talmeli
Denise Max é atualmente a única vereadora na Câmara Municipal; ela diz que dedicará o seu segundo mandato à defesa dos direitos da mulher