Apesar de o atual governador Fernando Pimentel (PT) apontar problemas na gestão tucana e criticar dívidas herdadas da administração anterior, o ex-governador Alberto Pinto Coelho (PP) não espera complicações para aprovação das contas de 2014 na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Coelho argumenta que o relatório financeiro referente ao último ano da gestão passada já foi aprovado pelo TCE/MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais). Por isso, ele acredita que os deputados estaduais deverão seguir o parecer do órgão técnico para deliberar sobre as contas de 2014. “Deixamos o Estado em condições equilibradas, obedecendo aos princípios e ditames da lei de Responsabilidade Fiscal. Queremos crer que, com o respaldo técnico do TCE, a assembleia possa muito em breve aprovar [a prestação de contas de 2014]”, acrescenta.
Quanto do débito de R$7 milhões alardeado pelo adversário petista e as obras paralisadas no fim do ano passado, o ex-governador afirma que não houve má gestão. Segundo Coelho, o Estado deixou de receber a última parcela de um financiamento firmado com o Banco do Brasil e ainda sofreu com o não-pagamento de repasse federal da Lei Kandir. A situação trouxe problemas no encerramento do mandato. “Não fossem esses dois fatos, o Estado teria cumprido sua obrigação plena com obras em andamento. Tivemos que sustar medições porque o dinheiro não entrou”, justifica. Além disso, o ex-governador rebate que os desafios enfrentados por Pimentel são fruto do cenário macroeconômico atual e não podem ser atribuídos à gestão anterior.
Diante da troca de farpas no início do governo petista em Minas, o ex-governador e presidente estadual do PP declara não enxergar no horizonte uma eventual aproximação à base aliada de Pimentel. A possibilidade foi levantada após o resultado das eleições no ano passado, pois os progressistas estão aliados com o PT no âmbito nacional.
Ainda assim, Coelho reforça que a política é dinâmica e a decisão partidária é tomada em grupo. “Da mesma forma que tivemos razões para estarmos juntos [com o PSDB na última eleição], amanhã poderemos ter razões para estar em outro campo. Não tem nada definitivo em política [...] Eu não vejo horizonte [para nos unirmos à base aliada do PT em Minas] por uma questão de coerência, mas a decisão partidária é coletiva”, encerra.