Com manifestação contrária de vereadores da oposição, projeto que concede aporte de R$ 26 milhões este ano às empresas corria risco de ser rejeitado com a falta de dois vereadores da base.
A sessão teve a presença do secretário de Mobilidade Urbana, Ulisses Lamas; do assessor-geral de Orçamento, Jorge Cardoso de Macedo; e do diretor da Transube, André Campos. (Foto/Divulgação/CMU)
A ausência de dois vereadores na primeira sessão ordinária de abril da Câmara Municipal de Uberaba comprometeu a votação do Projeto de Lei (PL) 304/2026, que trata da concessão de subvenção econômica às concessionárias do transporte coletivo urbano. Diante da falta de votos suficientes para aprovação, o líder do governo, Samuel Pereira (PL), solicitou o sobrestamento da matéria, que deverá retornar à pauta na próxima segunda-feira (6).
Os vereadores Ellen Miziara (PL) e Cabo Diego Fabiano (PL) não compareceram à sessão. Com isso, o plenário contou com a presença de 19 parlamentares, sendo 18 aptos a votar — já que o presidente da Casa não participa das votações. Por se tratar de um projeto que exige maioria qualificada, eram necessários ao menos 13 votos favoráveis para aprovação.
Durante a discussão, vereadores da oposição manifestaram posicionamento contrário ao projeto. Túlio Micheli (PSDB), Marcos Jammal (PSDB), Diego Rodrigues (PDT) e Cleber Júnior (MDB) criticaram o valor previsto para o subsídio, estimado em mais de R$26 milhões, e questionaram a política tarifária proposta. Segundo eles, mesmo com o aporte, o texto permitiria manter a passagem abaixo de R$6, enquanto o valor apresentado pelas concessionárias seria de R$9,25.
Parlamentares oposicionistas afirmaram que, caso os seis vereadores do bloco votassem contra, o projeto não atingiria o número mínimo de votos para aprovação. Durante a sessão, houve críticas à condução do Executivo municipal, especialmente quanto à falta de diálogo com a oposição.
O vereador Diego Rodrigues chegou a desafiar a base governista a levar o projeto à votação, mesmo diante do risco de rejeição, reforçando a necessidade de maior debate sobre o tema.
Por outro lado, o presidente da Câmara, Ismar Marão (PSD), posicionou-se contra o adiamento da matéria. Para ele, o projeto representa um benefício direto à população, ao subsidiar a tarifa e reduzir o valor pago pelos usuários. “Quero que vote esse projeto. E, se ele for rejeitado, quero falar abertamente à população de Uberaba que os vereadores da base do governo foram favoráveis aos usuários do transporte coletivo, votando para que a tarifa ficasse em R$6 e não em R$9,25”, afirmou.
O pedido de sobrestamento apresentado pelo líder do governo foi aprovado por 10 votos a 7. A expectativa é que, com o retorno dos vereadores ausentes, a base governista consiga reunir os votos necessários para aprovação do projeto na próxima sessão.
Mesmo sem votar, tarifa sobe para R$6 e R$7 no domingo
Antes mesmo do projeto que trata que prevê aporte estimado em R$26 milhões este ano, a ser pago pelo Município às empresas do transporte coletivo até dezembro, a prefeitura publicou no Porta Voz o Decreto Municipal 1984/2026, estabelecendo a entrada em vigor da nova tarifa do transporte coletivo urbano em Uberaba a partir do próximo domingo (5). A publicação estabelece o reajuste da tarifa de R$5,50 para R$6 no caso de pagamentos com cartão pré-pago e de R$6 para R$7 para pagamentos em dinheiro.
A sessão de ontem contou com a presença do secretário de Mobilidade Urbana, Ulisses Lamas; do assessor-geral de Orçamento, Jorge Cardoso de Macedo; e do diretor da Transube, André Campos. Durante a reunião eles prestaram esclarecimentos sobre o PL que esteve em discussão na CMU.
De acordo com o Executivo, a definição do novo valor foi baseada em reuniões técnicas da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) com o Conselho Municipal de Transporte Público (CMTP), realizadas desde janeiro, além da apresentação de estudo técnico aos vereadores.
Foi destacado ainda pelo Executivo que o levantamento considerou a prestação de contas do sistema referente a 2024 e 2025, além da planilha de custos atualizada em 1º de janeiro de 2026. As informações também foram debatidas em audiência pública realizada no dia 20 de março.