
(Foto/Divulgação)
Funcionários do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), aderiram à greve nacional da categoria, iniciada nesta semana. O movimento é liderado por entidades sindicais que reivindicam recomposição salarial e melhorias nas condições de trabalho.
Segundo o representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde (CNTS), Andrei Zysko Boscarino, a paralisação ocorre após o vencimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), no fim de fevereiro, sem que houvesse avanço nas negociações. “Começamos março sem nenhuma resposta da empresa quanto às nossas propostas. Não tivemos retorno nem econômico, nem social”, afirma.
De acordo com ele, as negociações foram levadas ao Tribunal Superior do Trabalho, mas terminaram sem acordo. “Tivemos audiências entre os dias 24 e 27 de março, mas todas foram frustradas. Diante disso, no dia 27 foi deflagrada a greve”, explica.
A paralisação, segundo o representante, ocorre de forma parcial, devido ao caráter essencial dos serviços de saúde. “A gente faz a retirada de profissionais que aderem à greve, mas mantém equipes mínimas. Se o atendimento ficar abaixo do necessário, o próprio comando de greve recompõe os trabalhadores para garantir a assistência”, disse.
Durante nova rodada de negociação, realizada na terça-feira (31), a empresa apresentou proposta de reajuste salarial com base na inflação do período. “A proposta foi de 100% do INPC, mas isso não atende a categoria. Nós temos uma defasagem acumulada de cerca de 25% nos últimos anos”, ressalta Boscarino.
Ele destaca que a principal reivindicação é ganho real, acima da inflação. “Se fosse apenas reposição inflacionária, não haveria necessidade de greve. O que buscamos é recuperar perdas históricas e garantir valorização da categoria”, pontua.
A proposta também inclui manutenção das cláusulas sociais e acréscimos, como medidas de combate ao assédio e ampliação de licenças, mas, segundo os trabalhadores, ainda está aquém do esperado.
Nesta quarta-feira (1º), trabalhadores de todo o país participam de assembleias para decidir se aceitam ou não a proposta. “Estamos votando hoje. A depender do resultado, a greve pode ser encerrada ou continuar”, informa o representante.
Caso a proposta seja rejeitada, o impasse pode ser levado à Justiça. “Se não houver acordo, será instaurado o dissídio coletivo, e a decisão passa a ser judicial”, disse.
Mesmo com a paralisação, os serviços no HC-UFTM continuam funcionando com equipes reduzidas. A orientação do movimento é garantir que atendimentos essenciais não sejam interrompidos. “Nosso objetivo não é prejudicar a população, mas lutar por condições dignas de trabalho. Somos trabalhadores que cuidam de quem mais precisa”, destaca Boscarino.
A reportagem entrou em contato com o Hospital de Clínicas da UFTM para posicionamento sobre a adesão à greve e possíveis impactos no atendimento, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.