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Fundo eleitoral já banca maior parte das campanhas com base em Uberaba

Levantamento mostra candidatos com mais de R$ 300 mil declarados, enquanto outros ainda não prestaram contas ao TSE

Joanna Prata
Publicado em 03/09/2026 às 14:45
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Quanto dinheiro os candidatos com base política em Uberaba já receberam para financiar suas campanhas e quanto desse valor tem origem em recursos públicos destinados pela União aos partidos? Os dados mais recentes disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram uma arrecadação desigual entre os concorrentes, mas o retrato ainda é parcial: enquanto alguns candidatos já declararam mais de R$ 300 mil em recursos, outros registraram apenas R$ 5 mil e há candidatos que ainda não apresentaram prestação de contas à Justiça Eleitoral. Parte significativa dos valores já declarados vem do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral, formado com recursos públicos do Orçamento da União e repassado pelos partidos às campanhas. Para o primeiro turno, o limite de gastos é de R$ 3.176.572,53 para deputado federal e de R$ 1.270.629,01 para deputado estadual.  

Entre os candidatos a deputado federal, Mauricinho de Sá (PSD) aparece com a maior arrecadação declarada até agora, com R$ 255 mil. Desse total, R$ 250 mil são recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), repassados pelo PSD à campanha, e R$ 5 mil correspondem a uma doação feita pelo próprio candidato. A prestação de contas foi atualizada em 31 de agosto e, até então, não havia despesas pagas registradas. 

Thiago Mariscal (PSDB) declarou R$ 250 mil em recursos recebidos. Todo o valor é proveniente do Fundo Especial, repassado pelo PSDB à campanha. A última atualização das contas ocorreu em 28 de agosto e não havia despesas pagas registradas. 

Franco Cartafina (Podemos) tinha declarado R$ 223 mil até a atualização feita em 2 de setembro. São R$ 200 mil provenientes do Fundo Especial, repassados pelo Podemos, e outros R$ 23 mil em doações. Até aquela data, a campanha não havia registrado despesas pagas. 

Anderson Adauto (PV) declarou R$ 40 mil em doações, todas de pessoas físicas, segundo atualização de 29 de agosto. A candidatura já registrava R$ 11 mil em despesas pagas. Carlão Agora (PRD) e Ana Lacerda (PSB) ainda não apresentaram prestação de contas à Justiça Eleitoral. 

Na corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Cabo Diego (PL) lidera a arrecadação entre os nomes de Uberaba incluídos no levantamento. A candidatura declarou R$ 305,5 mil em recursos recebidos na atualização de 26 de agosto. Desse montante, R$ 300 mil são do Fundo Especial, repassados pelo PL, e R$ 5,5 mil vieram de três pessoas físicas. Até então, não há despesas pagas. 

Patrícia Melo (PT) declarou R$ 283.040 em recursos. A prestação, atualizada em 26 de agosto, registra R$ 183.040 provenientes do Fundo Especial, repassados pelo PT, e R$ 100 mil em doações também do PT.  

Heli Grilo (PL) tinha R$ 253 mil declarados, sendo R$ 250 mil do Fundo Especial, repassados pelo PL, e R$ 3 mil de doação do próprio candidato. A campanha havia registrado R$ 3 mil em despesas pagas. 

China (PCdoB) declarou R$ 40 mil, integralmente provenientes do Fundo Especial repassado pelo partido. A última atualização ocorreu em 22 de agosto e não havia despesas pagas.  

Tony Carlos (PSDB) declarou R$ 5 mil em doação feita pelo próprio candidato, com atualização em 26 de agosto e nenhuma despesa paga. 

Ismar Marão (PSD) declarou R$ 5,6 mil em doações, conforme atualização de 31 de agosto. Nos dados informados, R$ 5 mil são identificados como doação do próprio candidato. Já Lerin (Democrata) e Lidiana Dantas (PL) ainda não tinham prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral. As informações de ambos têm como data de atualização 2 de setembro. 

Dinheiro declarado ainda pode aumentar 

Os números representam o que cada candidatura havia informado ao TSE até a última atualização disponível e, portanto, não correspondem necessariamente ao total que será arrecadado até o fim da campanha. As prestações podem receber novos lançamentos de receitas e despesas ao longo da disputa. 

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral, é formado por recursos públicos do Orçamento da União e destinado ao financiamento das campanhas. Para as eleições de 2026, a União disponibilizou ao TSE R$ 4,96 bilhões, em 1º de junho. O dinheiro é distribuído aos partidos de acordo com critérios previstos na legislação, que levam em conta, entre outros fatores, a representação das legendas no Congresso. Depois, cada partido define quanto será destinado às suas candidaturas, seguindo as regras eleitorais. 

As doações de pessoas físicas constituem outra fonte de recursos e aparecem separadamente nas contas. Elas podem ser feitas por apoiadores ou pelo próprio candidato, dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral.  

A diferença entre arrecadar e gastar também será acompanhada nas próximas atualizações, já que o volume de recursos recebidos não significa, necessariamente, que o mesmo valor tenha sido utilizado.

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