Presidente acusa oposição de impedir avanço da PEC no Senado; proposta foi aprovada pela CCJ, mas votação no plenário deve ficar para depois do primeiro turno das eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a oposição nesta quinta-feira (3) após a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 não avançar para votação no plenário do Senado. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (2), mas não chegou a ser analisada pelos 81 senadores.
Nas redes sociais, Lula apontou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, como um dos responsáveis pela articulação contra o avanço da proposta.
“Ontem o Brasil testemunhou, mais uma vez, quem é quem no Congresso Nacional. Enquanto tentávamos avançar com a PEC que acaba com a jornada 6x1 no Senado, a oposição, capitaneada pelo coordenador da campanha do meu opositor nessa corrida presidencial, atuava para impedir o avanço da pauta”, afirmou o presidente.
Lula também disse que a aprovação da PEC poderia garantir um dia a mais de descanso aos trabalhadores sem redução salarial. O presidente rebateu ainda os argumentos de que a mudança poderia provocar impactos negativos na economia.
“As justificativas são as de sempre. Se a gente aprovar, o Brasil ‘quebra’. Do mesmo jeito que ia ‘quebrar’ quando os trabalhadores conquistaram o direito às férias. Quando tiveram direito ao 13º”, escreveu.
Apesar da aprovação na CCJ, a PEC não foi levada ao plenário do Senado. A decisão ocorreu em meio à falta de segurança entre os governistas sobre a quantidade de votos necessária para aprovar o texto.
A proposta precisa de pelo menos 49 votos favoráveis, em dois turnos de votação, para ser aprovada no Senado. Caso passe sem alterações em relação ao texto vindo da Câmara, a PEC poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.
A expectativa dos senadores governistas é que a votação aconteça depois do primeiro turno das eleições, em outubro. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), deve tratar do calendário com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
O governo, porém, ainda tenta viabilizar uma sessão extraordinária em setembro para antecipar a análise da proposta.
O texto aprovado pela CCJ mantém a redação que já passou pela Câmara dos Deputados. A proposta prevê o fim da escala 6x1 e a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.
A mudança ocorreria em etapas. Primeiro, a jornada seria reduzida para 42 horas semanais e, posteriormente, chegaria a 40 horas. O modelo também prevê dois dias de descanso por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
O relator no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), manteve o texto da Câmara para evitar que a proposta precisasse retornar aos deputados caso sofresse alterações.
O relatório também deixou espaço para regulamentações específicas por meio de leis complementares, permitindo negociações coletivas e regimes diferenciados para determinadas atividades.
Rogério Marinho está entre os principais opositores à proposta. O senador argumenta que a redução da jornada sem diminuição dos salários pode elevar custos para as empresas, pressionar preços e dificultar a adaptação de pequenos negócios.
Marinho também apresentou uma PEC alternativa que cria um regime baseado em horas trabalhadas, permitindo ao trabalhador escolher entre o modelo tradicional da CLT e uma jornada flexível.
Na avaliação dos opositores, a discussão sobre a mudança na jornada deveria ocorrer com mais tempo para avaliar os impactos econômicos e as particularidades de diferentes setores.
A PEC do fim da escala 6x1 ainda precisa passar por dois turnos no plenário do Senado antes de se tornar uma mudança constitucional.