Empresa protocolou formalmente a decisão judicial junto à PMU e acertou com a Secretaria de Educação prazo técnico para reorganização da frota.
Empresa Gathi diz que reassume o transporte escolar rural até a próxima quarta-feira, conforme determinação judicial. (Foto/Divulgação)
Após tentativas de contato, a nova direção do Grupo Gathi procurou o Jornal da Manhã para prestar esclarecimentos sobre o impasse envolvendo o transporte escolar rural em Uberaba e anunciou que deve retomar a execução do serviço até quarta-feira (11). Segundo os novos gestores da cooperativa, a retomada ocorre após o protocolo formal da decisão judicial junto à administração municipal e a solicitação de prazo técnico para organização da frota, selagem dos veículos e regularização documental.
Em entrevista exclusiva ao JM, Leandro Rodrigues e Daiane Ferreira, novos gestores da Gathi em Uberaba, informaram que a empresa protocolou formalmente, na segunda-feira (2), a decisão judicial que suspendeu a inabilitação no processo licitatório, permitindo o retorno à execução do contrato. A partir disso, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) concedeu prazo de até cinco dias para que a empresa organizasse a retomada do serviço, incluindo a adequação operacional da frota. “Assim que tivemos acesso à decisão, fizemos o protocolo junto à Prefeitura e à Secretaria de Educação, seguindo todos os trâmites formais”, explicaram.
De acordo com eles, o prazo solicitado foi necessário para garantir que o reinício das atividades ocorra sem imprevistos. Entre as providências adotadas estão a selagem dos veículos, a regularização documental e a reorganização logística das rotas. “Não é só colocar o carro na rua. Transporte escolar rural é um serviço muito complexo. A gente quer começar com qualidade, com todos os veículos vistoriados, frota organizada e sem falhas. Então, optamos por solicitar esse tempo para começar da forma correta”, afirmaram.
A Gathi informou ainda que está apta a reassumir integralmente o serviço e que trabalha para garantir que o transporte seja retomado de forma segura e contínua, atendendo os estudantes da zona rural. “Hoje a cooperativa tem condições plenas de reassumir o transporte escolar rural, com frota organizada e dentro das exigências previstas em contrato”, reforçou Leandro, afirmando que a empresa recontratará os funcionários demitidos. “Entendemos que as vans são as mesmas, então os motoristas são os mesmos. Nós já demos baixa, mas vamos recontratar", ressaltou. A previsão é de que os veículos estejam completamente preparados dentro do prazo estabelecido pela Prefeitura.
Troca de gestão e imbróglios herdados
Leandro explicou que a cooperativa passou por troca de gestão em outubro de 2025, após uma série de dificuldades operacionais enfrentadas pela administração anterior. Segundo ele, parte significativa dos problemas que culminaram na inabilitação da Gathi no processo licitatório e na interrupção do serviço está relacionada à condução passada. “Hoje não tem ninguém da gestão anterior. Mudamos de endereço, mudamos a forma de trabalhar e não há qualquer pessoa envolvida em irregularidades na atual administração”, afirmou.
Ainda de acordo com o gestor, após a troca de comando, houve melhora significativa na execução do transporte entre outubro e dezembro do ano passado, inclusive reconhecida em reuniões com representantes da Semed. “O transporte escolar rural é complexo e estamos trazendo a nossa equipe para executar o serviço”, disse.
Problemas anteriores e expectativa
Os gestores também explicaram o fluxo entre a prestação do serviço, a conferência dos boletins e os pagamentos. Segundo Leandro, os boletins de quilometragem são entregues semanalmente, mas o fechamento financeiro é mensal. “O serviço é fechado de 1º a 30. No dia 1º entregamos o material à prefeitura, até o dia 15 emitimos a nota e o pagamento ocorre em até 30 dias”, explicou, ressaltando que o prazo médio é de 45 dias, conforme contrato.
Apesar da dinâmica, a empresa afirma que atrasos podem ocorrer devido a falhas na conferência e a erros no preenchimento dos boletins. Rasuras, informações incompletas e divergências de quilometragem estão entre os problemas mais frequentes.
“Esses boletins são entregues semanalmente. Só que pela gestão passada, recebemos da prefeitura duas notas em dezembro. Que estava atrasado, recebemos setembro e outubro em dezembro. Agora em janeiro, entregamos em dezembro, porque a prefeitura parou dia 20 e voltou dia 5. Agora nós recebemos em novembro. Desde aquele dia até hoje, a Prefeitura não entregou a conferência de dezembro. Isso porque, chega boletim errado, volta para a empresa e depois retorna para a prefeitura para assinatura. Isso gera retrabalho e atraso”, ressaltou.
Outro ponto citado são situações de socorro a veículos quebrados durante as rotas. “Às vezes um motorista precisa sair para socorrer outro, porque não pode deixar aluno na estrada”, explicou. Segundo Leandro Ferreira, mesmo com registro por GPS, esse deslocamento extra pode ser desconsiderado. “A prefeitura faz esse corte, mesmo estando em contrato que o socorro precisa ser feito”, afirmou, avaliando que, apesar disso, houve avanços na relação com a Semed e destacou que a Secretaria reconheceu os gargalos e anunciou a implantação de um aplicativo para automatizar o controle das rotas e dos boletins.
Além disso, ao longo da execução do contrato, o transporte escolar rural da Gathi foi alvo de diversas reclamações envolvendo atrasos, más condições dos veículos, falhas de manutenção e problemas de higiene, especialmente no início da prestação do serviço. A nova gestão afirma que trabalha para evitar a repetição desses problemas. “Vamos começar 100%. Não queremos carro velho, estragando, falta de transporte ou atrasos”, reforçou Daiane.
Com o anúncio da retomada, a expectativa é de que o transporte escolar rural volte a ser executado pela Gathi Gestão ainda nesta semana, encerrando o período de operação da cooperativa Ubervan.