A TV Globo cancelou, na noite desta quinta-feira (1º), o último debate entre candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno das eleições. A decisão foi anunciada poucas horas antes do início do programa, depois de determinações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alterarem regras previamente acertadas entre a emissora e as campanhas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia comunicado que não participaria do encontro e concedeu entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário. Flávio Bolsonaro (PL), que até então estava confirmado, também anunciou na noite de quinta-feira que não compareceria. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) já estavam nos estúdios da Globo quando o cancelamento foi informado.
Segundo a emissora, duas decisões recebidas nesta quinta interferiram diretamente nas normas estabelecidas para o debate. A primeira foi da ministra Estela Aranha, do TSE, que proibiu a manutenção do púlpito vazio destinado a candidatos ausentes e também impediu perguntas direcionadas a quem não estivesse presente. Pelas regras acertadas anteriormente com as campanhas, inclusive a de Lula, o púlpito deveria permanecer no cenário identificado com o nome do candidato.
Horas depois, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a participação de Renan Santos (Missão). O candidato havia recorrido após o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, negar pedido para sua inclusão no debate. Pelas regras adotadas pela Globo, o Missão não atingia o número mínimo de parlamentares exigido para garantir convite obrigatório.
A composição do debate já havia sido alterada judicialmente dias antes. Em 29 de setembro, Nunes Marques determinou a inclusão de Romeu Zema. O Novo sustentou que deveria ser considerada a composição atual de sua bancada na Câmara, com cinco deputados, e não apenas o número de parlamentares eleitos pela legenda em 2022. O ministro acolheu o argumento.
Ao anunciar o cancelamento, a Globo afirmou que as decisões sobre candidatos ausentes e sobre a participação de Renan Santos interferiam em regras previamente pactuadas. A emissora também citou a mudança de entendimento que havia garantido a presença de Zema.
Com o cancelamento, não houve o confronto televisivo previsto para encerrar a rodada de debates presidenciais antes da votação do primeiro turno.