
(Foto/Maria Isabel Oliveira/Agência O GLOBO)
O primeiro encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um debate nesta campanha concentrou ataques sobre familiares, investigações e suspeitas de corrupção. Realizado pela Band neste domingo (18), o confronto abriu a última semana antes do segundo turno com menos espaço para detalhar como os candidatos pretendem executar suas propostas.
Os dois haviam ficado fora dos debates do primeiro turno. Desta vez, frente a frente, usaram parte do tempo para cobrar explicações e responder às acusações do adversário.
Flávio questionou Lula sobre o filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sua relação com a empresária Roberta Luchsinger. Também explorou o fato de ele morar na Espanha enquanto é investigado pela Polícia Federal. O presidente defendeu o filho e afirmou que ele prestará esclarecimentos. “Não vai se esconder”, disse.
Lula reagiu mencionando a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões pedidos por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. O senador respondeu que os recursos foram destinados à produção.
A discussão chegou à transparência financeira das famílias. Lula propôs que ambos abrissem os sigilos bancário e telefônico antes da votação. Flávio afirmou não ter nada a esconder, mas voltou a acusar o adversário de movimentar dinheiro fora das contas declaradas.
Segurança, saúde e jornada de trabalho
Na segurança pública, Flávio defendeu classificar facções criminosas como organizações terroristas e ampliar o enfrentamento ao narcotráfico. Lula cobrou a aprovação da PEC da Segurança e defendeu criar um ministério para coordenar ações da União com estados e municípios.
Na saúde, o senador prometeu um SUS com “padrão Einstein”, prontuário eletrônico integrado pelo CPF e maior uso da telemedicina. Lula questionou se a proposta abriria caminho para privatização e defendeu ampliar o Mais Médicos e o acesso a medicamentos.
A pandemia também entrou no confronto. Ao responder às críticas de Lula à gestão de Jair Bolsonaro, Flávio reconheceu resultados insatisfatórios na saúde durante o governo do pai.
O fim da escala 6x1 expôs outra divergência. Questionado sobre a mudança de posição, Flávio disse ter passado a apoiar a proposta depois de ouvir trabalhadores. Lula contestou a proximidade do adversário com as demandas da categoria.
Na economia, o senador prometeu manter o Bolsa Família e suspender temporariamente o pagamento de dívidas. O presidente defendeu a distribuição de renda e políticas de renegociação de débitos.
As intervenções da plateia também interromperam o programa. Os mediadores pediram silêncio repetidas vezes, inclusive nas considerações finais, quando manifestações de aliados dos candidatos tumultuaram o encerramento.