Declaração ocorre às vésperas de um ano do início da operação militar dos EUA contra embarcações suspeitas de transportar drogas
O governo de Donald Trump afirmou que os Estados Unidos podem ampliar os ataques contra organizações de narcotráfico “onde for necessário”. A declaração foi dada nesta segunda-feira (1º), às vésperas de completar um ano do início da operação militar americana que já realizou dezenas de ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico Oriental.
Uma autoridade do governo americano, que falou sob condição de anonimato a jornalistas, afirmou que Trump deixou claro que a operação poderá continuar e atingir novos alvos conforme a necessidade.
Segundo levantamento da organização Airwars, que monitora os ataques, pelo menos 227 pessoas morreram desde o início da campanha. Até o fim de agosto, 69 embarcações haviam sido destruídas pelos Estados Unidos, de acordo com a entidade.
Questionada sobre o que seria considerado uma vitória na ofensiva e por quanto tempo Washington pretende manter as operações, a autoridade afirmou que o objetivo é garantir que os territórios dos países parceiros estejam sob controle de seus respectivos governos, e não de cartéis.
Como exemplo, citou Colômbia, Equador e Venezuela. Segundo a autoridade, a atuação americana busca ajudar esses países a recuperar o controle de seus territórios e retirar espaço de organizações classificadas por Washington como organizações terroristas estrangeiras.
A ofensiva, no entanto, enfrenta questionamentos sobre sua legalidade e eficácia. Juristas contestam a justificativa do governo americano de que os Estados Unidos estejam em um conflito armado com organizações de narcotráfico, argumento utilizado para sustentar os ataques.
Uma avaliação da DEA, obtida pelo jornal The Washington Post, também apontou que as operações não tiveram impacto significativo sobre a oferta ou o preço da cocaína nos Estados Unidos. Segundo a análise, traficantes passaram a modificar as estratégias, utilizando embarcações maiores, rotas mais próximas da costa e aeronaves para tentar evitar as forças americanas.
O resultado contrasta com a avaliação apresentada pelo governo Trump. Para a autoridade, a mudança nas estratégias dos traficantes demonstra que a ofensiva estaria produzindo efeitos.
A estratégia foi comparada à campanha militar americana contra o Estado Islâmico. Segundo o funcionário, uma das lições da chamada guerra ao terror é a necessidade de retirar do adversário o controle territorial.
O governo não estabeleceu prazo para o fim da operação. A autoridade afirmou que Washington considera que os recursos empregados no Hemisfério Ocidental produzem benefícios superiores aos custos.
Entre os números apresentados pelo governo estão os 12 mil militares enviados por Trump à fronteira sul dos Estados Unidos e as operações realizadas em águas marítimas. Segundo a autoridade, as ações teriam reduzido a quantidade de drogas que chega às comunidades americanas.
Levantamento do projeto Costs of War, da Universidade Brown, estima que as operações militares dos Estados Unidos na Venezuela, no Caribe e no Pacífico Oriental custaram pelo menos US$ 4,7 bilhões entre agosto de 2025 e março de 2026.
O governo também divulgou dados sobre a chamada Operação Lança do Sul. Segundo uma autoridade, as ações antidrogas do Comando Sul teriam provocado redução de 65% na atividade marítima ilícita no Caribe Ocidental, 60% no Caribe Oriental e quase 50% em áreas consideradas estratégicas do Pacífico. A metodologia utilizada para chegar aos números, porém, não foi detalhada.
A autoridade reconheceu que os grupos de narcotráfico estão modificando suas operações diante dos ataques, mas classificou essa adaptação como um sinal de que a estratégia americana estaria funcionando.