Rodrigo Maia também afirmou que é 'hora de tratar de coronavírus e não de impeachment'
Um possível pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não deve ter andamento com base nas declarações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Além de não ter número suficiente de parlamentares apoiando, internamente, a rejeição de Moro é maior que o desejo de qualquer mudança na Presidência da República.
Nesta segunda-feira (27), inclusive, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já disse que é “hora de tratar de coronavírus e não de impeachment”. Ele também não teria condições de levar o processo pra frente por falta de apoio e há um receio de ser taxado como golpista.
“Não vai prosperar nenhum pedido de impeachment neste momento. Por mais que Maia tenha apanhado, ele não vai fazer ferro e fogo. Se a gente não tiver novos ataques, se ele diminuir um pouco a agressividade, não vai ser lua de mel, mas não se terá o afastamento dele. Agora, depois que passar pandemia, superar isso do Moto, e aí vamos ver como vai ser economicamente, como ele vai se portar, aí há possibilidade de iniciar um processo. Mas, estamos trabalhando um dia de cada vez”, resumiu um líder da Câmara.
Na última sexta-feira, ao pedir demissão, Moro disse que houve interferência política do Palácio do Planalto ao retirar Maurício Valeixo da Diretoria Geral da Polícia Federal. A declaração resultou em pedidos de impeachment, como da ex-líder do governo no Congresso Joice Hasselmann e do PSB. Nos bastidores, parlamentares declararam que o tom e a postura que o magistrado adotou no discurso foi eleitoreiro, já pensando em 2022.
Há dois meses, a equipe do Palácio do Planalto começou uma reaproximação do Parlamento, em especial com políticos do PP, Republicanos e PL, que fazem parte do chamado "centrão". Além disso, o presidente conta com apoio de dissidentes do PSL e parlamentares de outras legendas, como o PSD e Pros. Por isso, no Congresso a análise é de que hoje o presidente tem mais aliados do que na última semana.
A saída do ex-juiz era desejo da maioria dos deputados e senadores, uma vez que vários deles são alvos de processos que ele moveu enquanto julgava casos da operação Lava Jato, em Curitiba (PR), além de disparar recorrentemente contra a classe política.
A avaliação de líderes é de que ao apoiar pedidos de impeachment com base nas falas do ex-ministro, isso o fortalece e pode torná-lo "herói", inclusive para as eleições de 2022. Isso não é de interesse de quem faz parte do centrão nem de deputados da oposição que não concordam com o modo que ele agiu em relação a prisão do ex-presidente Lula (PT).
*Com informações O Tempo