Lideranças classistas se reuniram esta semana para discutir entrada de investidor privado no projeto da fábrica de amônia da Petrobras. No encontro, o grupo acertou o início de mobilização com representantes do setor rural para cobrar o envolvimento do Ministério da Agricultura na defesa da unidade de fertilizantes nitrogenados em Uberaba.
O líder do G9 e presidente da Aciu, Manoel Rodrigues Neto, ressalta que a transferência da construção da planta de amônia para um investidor privado é a única solução para viabilizar a conclusão do empreendimento. Por isso, o grupo empresarial está empenhado em apoiar a proposta e buscar mais forças para articular em favor do pleito.
Rodrigues salienta que a participação de lideranças rurais é essencial porque o segmento agrícola será o maior beneficiado pelo projeto. No entanto, ele pondera que o Ministério da Agricultura vem se mantendo fora do processo de debates para viabilizar a fábrica. “Vamos apresentar a proposta [da entrada do parceiro privado] ao ministério. Assim, a ministra Kátia Abreu pode se envolver nesse grande projeto e também nos dar apoio junto à presidente Dilma Rousseff para consolidar a planta de amônia”, avalia.
Presente à reunião em Uberaba, o diretor de Investimentos do HSBC no Brasil, Antônio Marques de Oliveira Neto, explicou sobre as articulações em andamento para conseguir um investidor privado interessado em assumir a construção da fábrica da Petrobras. A obra está paralisada há dois meses por causa dos cortes realizados no plano de negócios da petrolífera.
O diretor argumenta que a Petrobras precisa se posicionar rapidamente para que a transação com os investidores possa avançar. “Se a estatal não for dar andamento na construção e operacionalização das plantas, é preciso abrir espaço para investidores interessados. Se a tiver interesse, a Petrobras pode permanecer no projeto, mas com participação menor. O importante é termos uma decisão rápida”, disse.
Além disso, o executivo defendeu o gasoduto vindo de São Carlos como a melhor alternativa para suprir a demanda de Uberaba. Segundo ele, o projeto já conta com licenciamento ambiental e pode ser concluído em tempo hábil. “Esse gasoduto fica pronto em 18 meses e tem todas as licenças necessárias. A alternativa vinda de Betim não tem projeto pronto, não tem as licenças necessárias e tem uma extensão em quilômetros de quase o dobro do vindo de São Carlos. O da TGBC é muito mais rentável, tanto da parte técnica quanto da parte econômica”, conclui.