POLÍTICA

Marcos Valério cita políticos uberabenses em delação

Em seu depoimento, o empresário menciona repasses a Anderson Adauto e também ao prefeito Paulo Piau

Da Redação
Publicado em 26/07/2017 às 16:36Atualizado em 16/12/2022 às 11:43
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Operador do mensalão petista e mensalão mineiro, o empresário Marcos Valério citou nomes de políticos mineiros no esquema de pagamento de propina desde a década de 90 durante delação premiada em acordo firmado com a Polícia Federal. Entre os envolvidos no ato criminoso estão o ex-secretário de Estado de Governo, Danilo de Castro (PSDB), o ex-deputado estadual e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Mauri Torres (PSDB), o ex-ministro dos Transportes, ex-deputado e ex-prefeito Anderson Adauto (PRB) e o então Deputado Estadual Paulo Piau (PMDB), hoje prefeito de Uberaba.

Em parte do depoimento, Valério afirma ter realizado repasses ao ex-ministro Anderson Adauto na época em que ele havia se tornado presidente da ALMG, em 1999. “Quando ganhamos a conta de publicidade da ALMG, passamos a fazer os repasses para uma conta em nome de Anderson Adauto”, conta o empresário. Ainda segundo Valério, durante todo o tempo da presidência de Adauto na ALMG (1999 a 2001), foram destinados recursos para compra e reforma de um apartamento em Belo Horizonte. “Os recursos foram entregues em dinheiro vivo para pagar as despesas de mão de obra do apartamento, além do material de construção”, completa.

O publicitário conta ainda que na disputa ao governo de Minas em 1998, o ex-senador Clésio Andrade teria pago diversos deputados da base governista na ALMG para que ele fosse indicado como vice na chapa de Eduardo Azeredo (PSDB), que tentaria a reeleição.

Valério cita o nome dos deputados Carlos Melles, Bilac Pinto, Sebastião Costa e Paulo Piau como supostos recebedores desses repasses. Além destes, teriam sido realizados pagamentos a pessoas ligadas a Azeredo para “convencê-lo” a aceitar a indicação de Clésio Andrade, como o ex-deputado Amilcar Martins.

Em nota enviada à reportagem, o prefeito Paulo Piau questiona as informações de Marcos Valério, afirmando não haver sentido que Clésio Andrade tivesse que “comprar” apoio dos colegas de bancada. Além disso, Piau protesta contra o que chamou de “indústria da delação premiada”, justificando que mesmo as delações não aceitas pela Justiça ganham destaque como se verdade fossem. Ainda, o prefeito menciona que, em seu depoimento, Valerio cita “suposto repasse”, sem nenhuma prova. Mesmo assim em momento algum o condenado diz que repassou dinheiro ao então deputado, disse apenas "supor" que alguém tenha repassado. Por fim, a nota diz que o prefeito “repudia veementemente a inclusão do seu nome, baseando-se o delator exclusivamente em suposições pessoais”.

A reportagem do Jornal da Manhã entrou em contato com ex-ministro Anderson Adauto, que negou as alegações. AA posiciona que sequer havia contrato com agência de publicidade durante sua gestão à frente da Assembleia Legislativa. Segundo ele, a licitação para contratar agência de publicidade foi aberta em 2001 e só finalizada em 2002, quando já não estava mais na presidência.AA também nega ter tido contato com Marcos Valério no período antes da contratação da agência, entre 1999 e 2000. 

*com informações do jornal ‘O Tempo’.

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