Governador ainda criticou estratégia do governo federal de fazer os estados a reduzirem ICMS de combustíveis para controle de preços do diesel
Recém-empossado e de olho na reeleição, o governador Mateus Simões (PSD) tratou de esfriar o debate sobre a venda da Cemig, que até pouco tempo era uma prioridade do governo. Mas ele deixou claro que quer mexer na engrenagem da estatal. Em entrevista exclusiva a O TEMPO, Simões afirmou que o tema não será prioridade neste momento e jogou qualquer decisão mais profunda sobre o assunto para a próxima gestão, a partir de 2027.
Simões participou do quadro Café com Política exibido nesta segunda-feira (23/3) e não poupou críticas ao modelo atual da companhia, que classificou como lento e burocrático. “Não tenho nenhuma vontade de ficar livre da Cemig. Eu queria só que ela fosse mais ágil. Acho a Cemig um paquiderme. Ela demora para fazer os investimentos, ela demora para dar o retorno para as pessoas. É possível mudar isso sem vender. Num segundo governo meu, eu posso voltar nessa discussão. Não quero vender, mas quero transformar em ‘corporation’ para que o Estado tenha uma empresa mais ágil”, afirmou.
A proposta citada por Simões prevê transformar a Cemig em uma “corporation”, modelo que dilui o controle do Estado sobre decisões estratégicas e facilita a negociação de ações no mercado. É um modelo que tem sido discutido junto aos deputados estaduais desde o início da tramitação do chamado “Pacote Propag”, mas que ainda não avançou. O argumento de Simões é que numa “corporation”, o governo daria agilidade à gestão da empresa, mas poderia manter sua participação acionária. “Eu posso inclusive ficar com as ações que eu tenho para sempre”, disse.
A mudança no modelo da Cemig transformando-a em “corporation” também abre espaço para privatizar a companhia. O assunto chegou a entrar na lista de prioridades do governo Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa em 2026, mas encontrou resistência até mesmo entre aliados. Diante do cenário adverso, o Palácio Tiradentes recuou e decidiu rever a estratégia.
Críticas ao ICMS do diesel
Ao falar sobre energia e combustíveis, Simões também rejeitou a proposta do governo Lula (PT) de reduzir o ICMS cobrado como imposto sobre o diesel. A medida tem sido defendida pela administração federal como forma de conter elevações nos combustíveis provocadas pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Porém, para o governador mineiro, a medida repete erros do passado e compromete receitas essenciais dos estados.
“É o mesmo erro praticado pelo Bolsonaro. Eu não tenho companhia de petróleo. Quem tem companhia de petróleo é o governo federal. Então, eles que resolvam por lá o problema deles com diesel. Agora, vai tirar dinheiro da minha saúde, da minha educação, da minha segurança. Não, eles resolvam lá”, disparou.
O governador foi além e classificou a ideia como “estupidez”, reforçando o tom crítico à proposta.