Os documentos foram retirados dos hospitais credenciados, conforme já explicou o diretor de Regulação e Auditoria da Secretaria Municipal de Saúde
Foto/Arquivo
Retirada das Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) para análise da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) prejudica pacientes em tratamento no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Posicionamento é do médico e professor da disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo da UFTM, Eduardo Crema.
Ele diz que, sem a AIH, pacientes estão impedidos de se submeter às cirurgias, mesmo após ter passado por consultas, realizado exames pré-operatórios. A situação mais grave ocorre entre os pacientes oncológicos, que necessitam de urgência no tratamento médico.
Os documentos foram retirados dos hospitais credenciados, conforme já explicou o diretor de Regulação e Auditoria da Secretaria Municipal de Saúde, Luís Gustavo Rimoli, para serem feitos a análise e levantamento de pacientes para mutirões, que deverão acontecer em abril, com recursos devolvidos do duodécimo na Câmara Municipal.
Porém, Crema critica a medida. Segundo ele, em dezembro do ano passado a SMS retirou em torno de 400 AIHs da UFTM. Para o médico, não há justificativa plausível para a retenção do documento, pois os pacientes já se consultaram e possuem exames pré-operatórios concluídos. “Estes pacientes foram atendidos, tendo recebido o devido diagnóstico, preparo e avaliação dos outros especialistas, como cardiologista pneumologista e anestesista, para realização de cirurgias”, diz.
Eduardo Crema também esclarece que, como todas as consultas e exames foram realizados na instituição, o HC é responsável por acompanhar cada caso, sendo incoerente retirar AIHs, pois interrompe o andamento do tratamento e a realização da cirurgia. “E considero ilegal que estes pacientes sejam operados por outras equipes em outros hospitais”, completa o médico.
No entanto, a situação mais grave está relacionada às AIHs de pacientes que precisam de procedimentos cirúrgicos oncológicos, “ou seja, de pacientes que têm câncer e necessitam prioridade para fazer cirurgia”, denuncia Eduardo Crema, informando que há muitos pacientes na fila aguardando cirurgia e estão sendo prejudicados com a medida adotada pela SMS.
Para ele, a situação acarreta consequências mais graves. Eduardo diz que alguns pacientes têm apresentado complicações, necessitando tratamento de urgência, sobrecarregando as UPAs. A questão culmina no aumento do tempo de internação hospitalar e nas complicações pós-operatórias. Além disso, destaca que o HC da UFTM sempre foi o principal estabelecimento de saúde da região para realização de cirurgias eletivas e de urgência. “A atitude de reter e dificultar a realização dos procedimentoseletivos é questionável “, finaliza.
A Prefeitura de Uberaba foi procurada para se posicionar sobre o assunto, mas até o fechamento desta edição não houve resposta.