Tribunal de Contas emitiu alerta esta semana ao governo mineiro por exceder limite prudencial de gastos com pessoal no período de maio a agosto deste ano. A situação pode dificultar o cumprimento do reajuste oferecido aos professores da rede estadual. O Estado se comprometeu a conceder aumento escalado de 2015 até 2018 para alcançar o valor do piso nacional do magistério.
Segundo informações do Tribunal, de maio a agosto, o governo de Minas destinou ao pagamento de servidores o equivalente a 48,71% da receita corrente líquida estadual. O limite prudencial estabelecido pela legislação seria de 46,55% da receita. O aumento nas despesas com o funcionalismo ocorreu justamente quando entrou em vigor a primeira parte do reajuste dos professores. Um aumento de 13,06% foi concedido a partir de junho deste ano.
No mês passado, o secretário-adjunto da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplag), Wieland Silberschneider, já havia adiantado em reunião na Assembleia Legislativa que o limite prudencial de gastos com pessoal havia sido extrapolado. Ele também posicionou que a situação poderia comprometer a atualização do piso nacional da categoria em 2016, pois o Estado fica impedido de conceder aumentos se o índice chegar a 49% da receita.
A declaração foi acompanhada por protestos da presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz da Silva Cerqueira, que ressaltou que a quebra do acordo entre governo e categoria poderia levar os servidores a entrarem em greve e atrasar o início do ano letivo.
Diante da repercussão, o governo mineiro emitiu nota assegurando que o acordo com os profissionais da Educação continuará a ser cumprido integralmente, incluindo a correção dos salários nos mesmos termos do piso nacional.
Segundo o texto, os técnicos das secretarias de Planejamento e Gestão, Fazenda e Casa Civil estudam formas de compatibilizar os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal – que veta a concessão de aumentos aos Estados que atingirem o limite prudencial – e a Lei 21.710, de 2015.
Mesmo com a garantia do Estado, a coordenadora do Sind-UTE em Uberaba, Maria Helena Gabriel, declarou em entrevista ao Jornal da Manhã esta semana que os trabalhadores permanecem em alerta quanto ao reajuste em 2016.