O deputado federal foi um dos principais articuladores da participação de parlamentares do seu partido no colegiado
Em meio às articulações para a formação da chapa dissidente para compor a comissão especial que iria analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o deputado federal Marcos Montes (PSD) foi um dos principais articuladores da participação de parlamentares do seu partido no colegiado. Com quatro integrantes do PSD, que, apesar de compor a base aliada do governo, são favoráveis ao impeachment, a chapa foi eleita com 272 votos, contra 199 dados à chapa oficial, apoiada pelo governo federal.
A chapa 2 tem 39 participantes, mas, como a comissão especial será formada por 65 membros, outros 26 deputados ainda serão escolhidos através de eleição suplementar. A eleição dos nomes que ainda faltam deveria acontecer no dia 9, quarta-feira, mas a tramitação foi suspensa pelo ministro Edson Fachin, até que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) julgue recurso proposto pelo PCdoB contra a escolha da chapa 2. A sessão do STF está marcada para a próxima quarta-feira (16).
Mesmo participando das articulações pela presença do PSD na chapa oposicionista, o deputado não aceitou a indicação para ser um dos quatro integrantes. Motivo é o fato de presidir a Frente Parlamentar Mista da Agropecuária (FPA), composta por cerca de 250 parlamentares, entre deputados federais e senadores dos mais variados partidos. Marcos Montes justificou que, apesar de a maioria da FPA ser pró-impeachment, ele não se sentiria confortável na comissão de oposição. Lembrou que a FPA tem funções institucionais que exigem sua participação enquanto presidente.
A reportagem do JM apurou que, na semana na passada, Montes esteve em reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, para discutir projetos importantes para os ruralistas. Marcos Montes não esconde que é pró-impeachment. Tem dito isso desde o início dos debates sobre o assunto, inclusive em entrevistas ao JM e em seus espaços nas redes sociais. Para o parlamentar, o pedido de abertura do processo de impeachment precisa ter embasamento jurídico, mas adianta que, se chegar ao plenário da Câmara, ele votará a favor.