O portal UOL, do grupo Folha da Manhã, que edita o jornal Folha de S.Paulo, trouxe manchete na tarde de ontem sobre doações de empresas da indústria de armas para campanha à reeleição do deputado federal Marcos Montes (PSD-MG), presidente da comissão especial na Câmara Federal que aprovou a revogação do Estatuto do Desarmamento. Outros quatro deputados da comissão também foram eleitos com a ajuda financeira do setor.
De acordo com o texto da reportagem, Montes recebeu no ano passado R$15 mil da empresa Taurus, a maior fabricante de armas de fogo no país e uma das maiores do mundo, e mais R$15 mil da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), fabricante brasileira de munição e armas. Os dados constam na prestação de contas feita pelo deputado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O parlamentar diz que lamenta apenas “que a falta de argumento por parte dos poucos defensores do Estatuto do Desarmamento os tenha levado para ataques contra pessoas sérias, culpadas apenas de não concordar com suas posturas ideológicas”. Montes negou que ele e outros membros da comissão estariam a serviço dos fabricantes de armas por ter recebido contribuição de campanha do setor. “Gostaria de saber se para estas pessoas os 90% de brasileiros que pedem a flexibilização estariam a serviço dos fabricantes”, ressaltou.
A reportagem do UOL disse ainda que a Aniam (Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições), que representa as duas empresas, informou, por meio de nota, que "as doações feitas a parlamentares seguem todas as normas e exigências estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral e aos princípios preconizados pela Constituição Federal".
Montes foi um dos 19 deputados que votaram a favor do texto-base do relator Laudívio Carvalho (PMDB-MG), que altera o Estatuto do Desarmamento, começando pelo nome, que passaria a se chamar “Estatuto de Controle de Armas de Fogo”. Oito deputados foram contrários à proposta. Marcos Montes repetiu ao UOL o que já havia dito ao Jornal da Manhã, que essas doações que recebeu foram legais, comprovadas e que correspondem a 1% do que arrecadou em sua campanha. Ele informou que gastou R$3,2 milhões nas eleições do ano passado.