O Fórum dos Trabalhadores Urbanos e Rurais de Uberaba, juntamente com movimentos sociais (MST, MTST, Movimento LGBT, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro) lançaram manifesto (publicado ontem, no Jornal da Manhã) contra a “Audiência Pública do Direito da Família Educar seus Filhos, e não à Ideologia de Gênero”, que será promovido pela Câmara Municipal de Uberaba (CMU), hoje. A instituição considera o evento inócuo e com fins eleitoreiros ao questionar a utilização de recursos públicos para realizá-lo.
Na nota, os movimentos dizem ter total repúdio e rejeição a qualquer ação que possa gerar constrangimento, discriminação, ódio e/ou intolerância ao ser humano que, por orientação sexual ou identidades de gênero diferentes da norma sexual dominante, quer sejam eles lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais.
Através do manifesto, as entidades afirmam que o Brasil é um país plural e diverso, que respeita todos os credos e religiões. E ainda destacam que o Estado é laico, o que significa separar a religião da esfera pública, o que é uma garantia constitucional.
“Defendemos a mais ampla liberdade religiosa. Respeitamos todos os credos e opiniões, mas, entendemos que crenças religiosas pertencem à esfera privada – individual ou comunitária. Religião é uma escolha, a cidadania não! A cidadania é um direito fundamental! Não aceitamos que tais argumentos sejam usados para fomentar o preconceito e negação de direitos. É preciso assegurar a laicidade do Estado e garantir o respeito à diversidade”, diz o manifesto.
Para as entidades que assinam o manifesto, o Brasil só será um país democrático de fato se a cidadania for vivenciada de forma plena, sem nenhum tipo de discriminação ou preconceito. Os manifestantes dizem rejeitar e denunciam o mau uso do dinheiro público para ações que visam muito mais criar ambiente eleitoreiro do que esclarecer e discutir o necessário fortalecimento dos vínculos familiares e humanos.
Para o Fórum dos Trabalhadores, a pauta de ideologia de gênero não foi apresentada nem pleiteada pela sociedade, nem pela Secretaria Municipal de Educação por ocasião do realinhamento do Plano Decenal Municipal de Educação, sendo que foi votado e aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal e, posteriormente, sancionado pelo Prefeito. “Portanto, o referido debate se torna inócuo, servindo apenas para dar visibilidade aos políticos que o convocaram. Comprova-se também o uso do dinheiro público para campanha eleitoral antecipada”, encerra o manifesto.