Governo do Estado anunciou que os municípios de Araguari e Indianópolis receberão projeto controlado pela joint venture LD Celulose S.A., formada pela brasileira Duratex e pela austríaca Lenzig. A licença de instalação foi obtida junto à Câmara Técnica Especializada de Atividades Industriais, do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).
A licença indica que as obras do parque industrial de matéria-prima para produção de tecidos já estão autorizadas. A fábrica de celulose solúvel representa a geração de mais de seis mil empregos diretos e indiretos até 2022. O empreendimento obteve a licença prévia (LP), que avalia a viabilidade ambiental, em junho de 2019, e agora a licença de instalação.
O empreendimento contará com investimentos de mais de R$4,5 bilhões e será instalado na área florestal da Duratex. A expectativa é de que as obras estejam terminadas em dois anos, quando a empresa espera iniciar a operação, gerando nesta fase mais de mil empregos diretos. A fábrica produzirá 450 mil toneladas por ano de celulose solúvel, a ser adquirida pela Lenzig e exportada para o mercado asiático.
O parque industrial ainda produzirá, em média, 77 megawatts de energia elétrica renovável, a partir da biomassa de madeira resultante do processo. Isto porque, no lugar de se tornar resíduo, o produto retornará como energia para o sistema elétrico. Segundo os investidores, será a maior linha industrial de celulose solúvel do mundo.
Mudança de projeto da Duratex tirou Uberaba da disputa pela unidade. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação, José Renato Gomes, lembra que Uberaba pleiteou receber a fábrica de MDF assim que surgiu a notícia de que a empresa buscava um local para iniciar um novo projeto, e que houve a preocupação sobre o fechamento da unidade já instalada no município. Na oportunidade, a empresa não planejava fechar a unidade já existente e estudou as propostas apresentadas por Uberaba. No entanto, o secretário destaca que a Duratex mudou o direcionamento, associando-se à Lenzig, e o projeto celulose solúvel apresentava exigências operacionais que não poderiam ser atendidas pelo município. Isto porque a fábrica precisa de acesso à floresta que a Duratex já possui em Araguari e Indianápolis.
José Renato destaca que Uberaba chegou a pleitear que a parte do produto destinado à exportação viesse para a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Uberaba, o que também se tornou inviável do ponto de vista logístico. “Torcemos para que dê certo e temos certeza que vai dar, porque impacta, sim, toda a região. Empresas de Uberaba, com certeza, estarão disputando o seu processo de construção, fornecimento e já temos notícia de uma empresa uberabense já abriu filial em Araguari pensando na produção asfáltica”, ressalta.