Secretária de Educação de Uberaba, Silvana Elias, disse ontem na CMU que em três anos os gastos do governo municipal com o sistema estruturado de ensino superaram os R$19,776 milhões
A secretária de Educação de Uberaba, Silvana Elias, disse ontem na Câmara que em três anos os gastos do governo municipal com o sistema estruturado de ensino superaram os R$19,776 milhões, recursos que, conforme colocou, poderiam ter atendido a outras demandas. Segundo a educadora, esse montante equivale à construção de 15 unidades de educação infantil ou a seis escolas de 12 salas de aula para o ensino fundamental, “num momento em que a população clama por vagas”.
De acordo com Silvana Elias, as obras não foram feitas e nem as escolas que necessitam de reforma passaram pelas intervenções arquitetônicas necessárias, além disso, a Prefeitura, que herdou uma defasagem salarial em relação ao piso do educador, da ordem de 52,2%, só conseguiu recompor 24%. “Havia e há muita coisa a fazer”, afirmou a secretária, assegurando que a decisão do governo pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) ao invés do sistema estruturado de ensino fornecido pelo Colégio Cenecista Dr. José Ferreira, de 2010 a 2013, foi pautada por questões técnico-pedagógicas.
“Não passou pela nossa cabeça tirar o sistema estruturado exclusivamente pelo preço, porque para nós Educação não é custo, é investimento”, afirmou Silvana, assegurando que essa decisão foi amplamente discutida inclusive com os professores da rede. Ainda de acordo com a secretária, o governo optou pelo PNLD porque trata-se de uma alternativa tão boa quanto, e sem custos para os cofres do município. A titular da pasta também disse que esses livros são adotados por várias escolas particulares.
Silvana ocupou a Tribuna Livre da Câmara a convite do vereador Marcelo Borjão (DEM), após seu colega Cléber Cabeludo (Pros) ter questionado semana passada as razões que levaram o Executivo a optar pelo material do PNLD. Para Cléber, a decisão do governo interrompeu o sonho de muitos pais de verem seus filhos estudarem com material de escola particular. “Nossa atitude não interrompeu nenhum sonho. Mostrou que outro caminho é possível quando se tem claro a escola que se quer construir”, disse Silvana, assinalando que a administração tem consciência de que o caminho é duro e árduo, mas se pauta pela ética e a responsabilidade com o bem público. Ela também admitiu que a Prefeitura ainda deve ao colégio.
“Se os livros do MEC são tão bons, por que os pais dos alunos das escolas particulares não levam seus filhos para as escolas públicas? São todos doidos rasgando dinheiro? Não vou citar nomes, mas os filhos de vários funcionários da Secretaria [de Educação] que estão sentados aqui não estudam em escola pública”, disparou Cléber, também se dirigindo a um grupo de educadores que acompanhou Silvana na Câmara e ainda: se desculpando por não ter chamado os pais dos alunos da rede municipal para acompanhar as declarações. Cléber, que disse não estar defendendo o colégio, diz ter certeza que as apostilas são melhores e que o custo mensal delas por aluno era de R$30.