Ripposati defende que é preciso alertar e conscientizar a população para a racionalização do consumo de água. Semana passada ele percorreu trechos da bacia do rio Uberaba
A estiagem prolongada e a consequente redução no nível de água do rio Uberaba, aliadas ao desperdício do produto pela população, motivaram o vereador João Gilberto Ripposati (PSDB) a solicitar a decretação de estado de emergência em Uberaba. Primeiro-secretário da Câmara, o tucano age com base na Lei Municipal 10.270/2007, que dispõe sobre controle e uso de água.
“Mas não é estado de emergência para ir multando”, pondera Ripposati, que destinou a demanda ao Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (Codau). Ele recomenda que seja adotada uma política educativa e não punitiva durante a vigência do decreto, tanto que sugeriu um corpo a corpo junto aos moradores da cidade com panfletagem e som volante.
Ripposati defende que é preciso alertar e conscientizar a população para a racionalização do consumo de água. Semana passada ele percorreu trechos da bacia hidrográfica do rio Uberaba acompanhado do pesquisador da Embrapa/Epamig e mestre em Aproveitamento de Recursos Hídricos, Renato Jácomo Manzan. Segundo o técnico, ao longo dos anos a bacia hidrográfica do alto rio Uberaba vem sofrendo degradações ambientais múltiplas e sucessivas, o que tem contribuído para o assoreamento do seu leito e a gradativa diminuição de sua vazão.
“Se nada for feito de concreto para reduzir o consumo e conter as sucessivas degradações ambientais do rio Uberaba, vai faltar água nas torneiras em toda cidade, como já vem ocorrendo em alguns bairros”, alerta Ripposati, que, paralelamente ao pedido de decretação de emergência, defendeu que o Codau faça um levantamento – “pra ontem” – sobre a situação dos poços artesianos e minas d’água, bem como a análise da água que poderá ser usada para garantir o abastecimento, a exemplo do que foi feito em 2003, quando um trem da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), carregado de produtos químicos inflamáveis, descarrilou e caiu no córrego Alegria, um dos afluentes do rio Uberaba.
O tucano, que defende o somatório de esforços junto ao governo para reduzir os níveis de consumo e melhorar as condições do curso d’água, também requereu do Codau dois projetos: um deles contendo planilha de custos e valores para construção de barragens no rio Uberaba e afluentes e outro focado na proteção e preservação das minas, nascentes, matas de topo, encostas e ciliar em toda extensão da bacia hidrográfica. Ripposati colocou ainda sobre a necessidade de intensificar a fiscalização no que se refere à captação irregular de água no rio Uberaba e afluentes.
Para o vereador Luiz Dutra (SD), a situação é gravíssima e todos têm que colaborar para evitar o desperdício.
Já o colega Samuel Pereira (PR) lembrou de sugestão encaminhada ao Executivo visando à transposição da água do rio Araguari para o rio Uberaba. Ele lamentou que sua proposta não chegou a ser analisada e disse que muitas vezes os vereadores usam a tribuna e não são ouvidos, “mas nós não somos burros, somos inteligentes”.
Ainda conforme Ripposati, o governo não despertou para a gravidade do problema, “aliás, disse que não faltaria água”. Paralelamente às manifestações em plenário, a assessoria do prefeito Paulo Piau (PMDB) postava em seu mural no Facebook que a situação no rio Uberaba é gravíssima, a exemplo do que está acontecendo em outras regiões brasileiras.