OPERAÇÃO CAÇA-FANTASMAS

Nora de Almir e ex-candidatos estão entre assessores afastados na Operação Caça-Fantasmas

Lista publicada pela Câmara de Uberaba reúne a nora do vereador, dois ex-candidatos ao Legislativo e uma servidora que já atuou em outro gabinete

Larissa Prata
Publicado em 02/09/2026 às 07:14Atualizado em 02/09/2026 às 07:15
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A lista dos seis assessores do vereador Almir Silva (Republicanos) afastados por ordem judicial na segunda fase da Operação Caça-Fantasmas reúne a nora do parlamentar, dois ex-candidatos à Câmara Municipal e uma servidora que já atuou no gabinete de outro vereador. Os nomes foram divulgados na Portaria nº 5.776/2026, que formalizou a suspensão das atividades pelo prazo inicial de 90 dias.

Foram afastados Larallayne Costa Nogueira, Joice Dayane Damas de Palvas, Sirlene Aparecida Pereira da Cruz, Vilmar Batista da Silva, Debbie de Fátima Reis e Priscilla Ferreira do Nascimento. Todos estavam lotados no gabinete de Almir e, conforme a determinação judicial, ficaram impedidos de acessar o espaço, outros setores da Câmara e os sistemas e ferramentas do Legislativo.

A publicação também esclarece a conta das sete medidas de afastamento anunciadas pela Polícia Civil durante a operação. São seis assessores, além do próprio Almir Silva, que também foi retirado cautelarmente do exercício do mandato por 90 dias. O parlamentar perdeu ainda a função de relator da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, posto que passou ao vereador Anderson Dois Irmãos (PSD).

A portaria da Câmara não descreve qual conduta teria sido atribuída a cada assessor e tampouco os declara responsáveis por irregularidades. O documento apenas identifica os servidores atingidos pela decisão judicial, que tramita sob sigilo.

Nora de Almir já ocupou cargo ligado à Presidência

Entre os nomes, Larallayne Costa Nogueira é quem tem o vínculo familiar mais direto com o vereador. Ela é casada desde novembro de 2024 com Bruno Henrique de Palvas Silva, filho de Almir.

Larallayne já integrava a estrutura administrativa da Câmara antes de aparecer entre os servidores lotados no gabinete do sogro. Em janeiro de 2023, ela foi relacionada em publicação oficial como assessora de apoio do gabinete da Presidência do Legislativo, à época comandada pelo vereador Fernando Mendes. 

Dois integrantes da lista já tentaram ocupar uma cadeira no Legislativo pelo voto. Vilmar Batista da Silva disputou as eleições municipais de 2020 com o nome de urna “Vilmar Galo”. Candidato pelo PSDB, recebeu 1.104 votos e não foi eleito. Na documentação apresentada à Justiça Eleitoral, declarou a ocupação de empresário.

Priscilla Ferreira do Nascimento também concorreu ao cargo de vereadora em 2020. Candidata pelo então PSL com o nome “Priscilla Ferreira”, recebeu 125 votos e ficou na suplência. À Justiça Eleitoral, declarou trabalhar como enfermeira.

Debbie de Fátima Reis, por sua vez, já havia passado por outro gabinete da Câmara. Em março de 2022, foi nomeada assessora parlamentar do então vereador Baltazar dos Reis Silvério. Posteriormente, passou a integrar a equipe de Almir Silva.

As buscas em registros públicos não apontaram candidaturas anteriores ou atuação política de maior destaque de Joice Dayane Damas de Palvas e Sirlene Aparecida Pereira da Cruz fora da atividade de assessoria parlamentar.

Almir Silva foi preso temporariamente na manhã de terça-feira (1º), sendo o único alvo de ordem de prisão na segunda fase da Operação Caça-Fantasmas. A ação mobilizou cerca de 55 policiais civis para o cumprimento de 15 diligências de busca e apreensão e das sete medidas de afastamento. Documentos funcionais, registros de contratação e folhas de ponto dos servidores ligados ao gabinete estavam entre os materiais procurados.

A nova etapa ocorre após o Ministério Público denunciar Almir e outras quatro pessoas em um dos núcleos identificados na investigação. Segundo o MPMG, três integrantes de uma mesma família teriam ocupado cargos no gabinete entre 2017 e 2025 sem prestar os serviços correspondentes. O prejuízo calculado somente nesse núcleo supera R$ 636 mil.

Como o segundo inquérito está sob sigilo, ainda não foram divulgadas as suspeitas específicas envolvendo cada um dos seis servidores. O afastamento é uma medida cautelar destinada a preservar a investigação e não equivale a denúncia ou condenação. A eventual responsabilização dependerá da conclusão do inquérito, da apresentação de acusação formal e do julgamento pela Justiça.

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