Evento foi proposto pelos integrantes da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que esperam presença de representantes da Cemig e da Gasmig
Foto/Willian Dias/ALMG
Em julho, o primeiro debate definiu pela formação de comissão para marcar audiências com a presidente e com o governador, que não aconteceram
Gasoduto será novamente tema de audiência pública. O debate acontecerá durante programação da ExpoCigra, no dia 2 de outubro, em Uberaba. O evento foi proposto pelos integrantes da Comissão de Minas e Energia da Assembleia Legislativa, que espera a presença de representantes da Cemig e da Gasmig para discutir o projeto juntamente com as lideranças do setor industrial.
Um dos autores da proposta para o debate, o vice-presidente da Comissão de Minas e Energia, deputado estadual João Bosco (PTdoB), defende a implantação do gasoduto Betim-Uberaba. Ele argumenta que a área a ser contemplada pelo traçado tem grande demanda por gás natural, pois ao longo do percurso existem 14.180 indústrias. “O gasoduto beneficiará diretamente 50 municípios, gerando milhares de empregos diretos e indiretos, além de expandir a oferta de gás natural para o país”, disse.
A declaração do parlamentar rebate o presidente da Cemig, Mauro Borges. Em visita a Uberaba na semana passada, o executivo alegou não haver condições de implantar o duto sem garantia sobre a conclusão da obra da planta de amônia. Ele ainda justificou que o transporte de gás só é viável com a segurança de uma unidade consumidora, que seria a fábrica da Petrobras.
Em entrevista ao Jornal da Manhã, o governador Fernando Pimentel (PT) seguiu o mesmo posicionamento do dirigente da Cemig. O petista disse aguardar uma definição da Petrobras quanto à entrada em operação da fábrica de amônia para dar início à construção do gasoduto. Segundo ele, a petrolífera estaria negociando com investidor privado para assumir o investimento e concluir a obra da planta.
Pimentel também assegurou que o Estado cumprirá com a implantação do duto no prazo estabelecido. “Quando a Petrobras apresentar a definição [sobre a obra da planta de amônia], estaremos prontos para fazer a nossa parte”, declarou.
Além disso, o governador argumentou que a discussão em torno do gasoduto para abastecer a fábrica da Petrobras se prolonga desde 2010 e o início da obra foi adiado sucessivamente ao longo das gestões anteriores. “Quando assumimos o governo de Minas, começamos a preparar a Cemig e a Gasmig para tocar a obra dentro do prazo solicitado pela Petrobras, apesar de todas as dificuldades que encontramos. Mas aí a própria Petrobras decidiu suspender a construção da fábrica de amônia”, justifica.
Definições do primeiro encontro em julho não avançaram até o momento. Em julho, a construção do duto para abastecer a fábrica de amônia da Petrobras já tinha sido colocada em pauta na Assembleia Legislativa. Na ocasião, os deputados decidiram formar um grupo de trabalho suprapartidário para cobrar a retomada da obra e propuseram uma audiência com a presidente Dilma Rousseff (PT) e o governador Fernando Pimentel (PT) para tratar o assunto, mas não houve informação se o encontro já aconteceu e nem das articulações realizadas pelo grupo desde então.
A nova audiência pública reservada à discussão do gasoduto acontecerá no Parque Fernando Costa, a partir das 14h. Foram convidados para o evento o presidente da Cemig, Mauro Borges; o vice-presidente da Cemig, Mateus de Moura Lima Gomes; o presidente da Gasmig, Eduardo Lima Andrade Ferreira; o presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Olavo Machado Júnior; o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Altamir Rôso; o prefeito Paulo Piau (PMDB), e outras lideranças da região.