Advogado da cidade foi multado em R$ 5 mil por Alexandre de Moraes após sistema identificar instrução escondida em petição; subseção local ainda não recebeu comunicação oficial
A inserção de comandos ocultos em documentos judiciais, com a intenção de interferir no funcionamento de sistemas de inteligência artificial, pode configurar infração ético-disciplinar. A avaliação é do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Uberaba, Luciano Del Duque, após a aplicação de multa de R$ 5 mil a um advogado da cidade pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em resposta ao Jornal da Manhã, Del Duque informou que a subseção de Uberaba ainda não recebeu comunicação oficial sobre o episódio. O presidente acrescentou que, caso a entidade constate a possibilidade de ocorrência de uma conduta dessa natureza, o responsável poderá responder a processo disciplinar. “Quando e se a OAB UBERABA constatar a possibilidade de ocorrência de tal natureza o(a) responsável será processado(a) na forma da lei”, declara.
Comando oculto foi identificado em petição
O conteúdo foi detectado pelo MARIA Shield, sistema de segurança utilizado pela Corte para identificar possíveis tentativas de manipulação de ferramentas de inteligência artificial. A técnica é conhecida como prompt injection e consiste na inserção de comandos em documentos para tentar interferir no comportamento de sistemas de IA que processem aquele conteúdo.
Na decisão, Alexandre de Moraes aplicou multa de R$ 5 mil ao advogado e classificou a inserção da instrução como ato atentatório à dignidade da Justiça. O ministro também determinou que o caso fosse comunicado à OAB, para eventuais providências disciplinares, e ao Ministério Público Federal (MPF), para apuração de possível prática de crime.
Martins afirmou que desconhecia a existência do comando no documento. Segundo a justificativa apresentada pela defesa, a petição foi elaborada de forma colaborativa com outros profissionais, e ele ficou responsável pelo protocolo eletrônico.
Caso envolve réu de Uberaba
A petição foi apresentada na defesa de Rodrigo Tadeu Barbassa, também de Uberaba, réu em processo relacionado aos atos de 8 de janeiro. O caso envolve um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado entre Barbassa e a Procuradoria-Geral da República (PGR), posteriormente homologado por Moraes.
Conforme as informações divulgadas no processo, o comando oculto não interferiu na análise nem na homologação do acordo, que permanece válido.
O advogado também solicitou apoio institucional da OAB-MG para contestar a multa e argumenta que não há comprovação de que tenha inserido ou soubesse da existência da instrução no documento.
O Jornal da Manhã entrou em contato com Marcelo Henrique Martins e aguarda manifestação. O espaço permanece aberto para posicionamento.