A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º) a Operação Wi-Fi Livre, que apura possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo para implantação e manutenção de pontos de internet gratuita em comunidades da capital.
A investigação também envolve o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade responsável pela execução do programa, e sua proprietária, Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o Ministério Público, o contrato previa a instalação de 5 mil pontos de acesso à rede Wi-Fi até junho de 2025. No entanto, apenas 3,2 mil teriam sido implantados. Os investigadores também apontam que foram realizados pagamentos antecipados de aproximadamente R$ 26 milhões sem a correspondente entrega dos serviços contratados.
De acordo com a apuração, repasses superiores a R$ 11 milhões teriam sido feitos em julho e agosto de 2024 para a operação de 3,2 mil pontos, embora apenas seis estivessem efetivamente funcionando naquele período.
Outro ponto investigado é a experiência do ICB. Conforme os órgãos responsáveis pela operação, a entidade não possui histórico relevante na área de telecomunicações, tendo atuação anterior concentrada na realização de feiras literárias e eventos de natureza religiosa.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que colabora com as investigações e afirmou que toda a documentação relacionada ao contrato já havia sido disponibilizada às autoridades. A administração municipal também declarou que o programa segue em funcionamento e que não houve pagamento referente à instalação de 5 mil pontos de acesso.
A prefeitura sustenta ainda que o contrato foi firmado por meio de chamamento público, dentro das exigências legais, e rejeita qualquer acusação de desvio de recursos públicos.
Até o momento, a Polícia Civil e o Ministério Público não divulgaram informações sobre prisões ou medidas cautelares relacionadas à operação.