Em entrevista à Rádio JM, Fabiano Elias diz que valor divulgado inclui custeio e pessoal, não apenas investimento público

(Foto/Divulgação)
Recentemente, o Jornal da Manhã divulgou que o orçamento da Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau) para 2026 prevê mais de R$300 milhões destinados a ações ligadas ao abastecimento de água, saneamento e infraestrutura no município. Entretanto, o consultor político Fabiano Elias questionou o anúncio de que a autarquia irá investir esse montante no setor. Em entrevista ao programa Pingo do J, ele afirmou que o valor divulgado não corresponde, tecnicamente ao que a legislação define como investimento público.
Segundo Fabiano, ao dividir o montante de R$300 milhões pelos 365 dias do ano, o resultado seria uma média superior a R$830 mil por dia, número que, na avaliação dele, não se sustenta quando analisado à luz da Lei nº 4.320/1964, que trata das normas gerais de direito financeiro. “Investimento, pela lei, é obra, desapropriação, aquisição de imóveis e novas tecnologias. Não entram gastos com pessoal nem custeio”, explicou.
O consultor destacou que, na prática, grande parte do orçamento das administrações públicas é comprometida com despesas obrigatórias, como folha de pagamento, educação, saúde e serviço da dívida, o que reduz significativamente a margem para investimentos reais. “Quando você soma educação, saúde e pessoal, já se chega a algo próximo de 90% do orçamento. O que sobra para investimento é muito pequeno”, afirmou à Rádio JM.
Fabiano Elias disse ainda que seu questionamento não é político, mas técnico, e que chegou a receber contatos da assessoria da Codau e de representantes do governo municipal após a repercussão do comentário feito nas redes sociais. Segundo ele, o problema estaria na forma como o dado foi divulgado, ao tratar o orçamento total como se fosse integralmente destinado a investimentos. “Pegaram o bolo inteiro e publicaram como investimento”, resumiu.
A Codau divulgou recentemente que o orçamento de 2026 prevê mais de R$300 milhões para ações ligadas ao abastecimento de água, tratamento de esgoto e infraestrutura, incluindo recursos para obras, manutenção dos sistemas, custeio operacional e despesas com pessoal. Conforme a autarquia, os valores constam na Lei Orçamentária Anual e incluem, entre outros pontos, investimentos no Centro de Reservação do Rio Uberaba, considerado estratégico para a segurança hídrica do município.