
Servidores protestaram antes e durante a votação em Plenário da ALMG, e ações seguem após decisão em 1º turno (Foto/Daniel Protzner/ALMG)
Profissionais da educação, meio ambiente e saúde afirmaram, nesta terça-feira (24/3), que as paralisações e movimentações por reajustes e melhores condições de trabalho continuam, mesmo após a aprovação de reajuste salarial para os servidores públicos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em primeiro turno. O TEMPO procurou o Governo de Minas, que ainda não se posicionou.
O aumento proposto pelo projeto de lei (PL) 5.323/2026 é de 5,4%, retroativo a 1º de janeiro, mas as paralisações mantêm a pressão por uma reavaliação. Para se concretizar, o PL ainda deve ser votado em 2º turno e, depois, sancionado.
Educação
Mesmo com a aprovação, educadores seguem ocupando as duas sedes de Superintendência Regional de Ensino (SRE), em Belo Horizonte e em Montes Claros. A tomada das instalações ocorreu nesta manhã.
Em publicação no Instagram, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) reforçou que as reivindicações da categoria vão além do aumento salarial. "A mobilização denuncia e exige a imediata suspensão do leilão que pretende transferir a gestão de 95 escolas públicas para a iniciativa privada, um ataque direto à educação pública e aos direitos de quem a constrói cotidianamente", registrou.
Mas os valores também importam. O reajuste de 5,4% previsto no projeto atual está muito abaixo do esperado pela categoria. Há uma semana, servidores da rede pública estadual de ensino lançaram a campanha salarial de 2026, na qual pedem reajuste de 41,83% — percentual que, segundo o Sind-UTE, corresponde às perdas acumuladas entre 2019 e 2025.
O TEMPO também procurou a Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (Aduemg), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Entretanto, a entidade já organizava uma paralisação geral das atividades para a próxima quinta-feira (26/3), com a realização de um protesto na Assembleia Legislativa.
“Iremos protestar por reajuste salarial, pela recomposição das perdas e por valorização profissional, incluindo a carreira, com base em acordo de greve que já completa 10 anos e não foi cumprido pelo atual governo”, convocou o presidente da associação, Túlio Lopes, nas redes sociais, antes da aprovação do PL em 1º turno.
Assim que houver retorno da Aduemg, a matéria será atualizada.
Meio Ambiente
O cenário é parecido entre os servidores do Meio Ambiente. Presidente do Sindicato dos Servidores Estaduais do Meio Ambiente e da Arsae (Sindsema), Wallace Alves afirmou que a luta permanece e que os 5,4% de reajuste previstos no PL não representam um aumento real.
Segundo ele, nos últimos oito anos, em cinco não houve reajuste para recompor as perdas inflacionárias, e as perdas salariais já chegam a 30%. “Vamos fazer uma proposta de valores ao governo”, afirmou ele, sem especificar números.
Saúde
Na área da Saúde, as ações seguem "de olho" no 2º turno das votações. O Sindicato dos Servidores dos Institutos de Previdência de Minas Gerais (Sisipsemg) também informou que segue em mobilização. “A diretoria estará mobilizada, novamente, na Assembleia, acompanhando a votação e cobrando uma recomposição digna para os servidores públicos de Minas Gerais”, ressaltou.
O que diz o Governo sobre o reajuste salarial?
Procurado horas antes da aprovação do PL em 1º turno, o Governo de Minas afirmou que tem “compromisso com a valorização dos servidores públicos estaduais e mantém diálogo permanente com as categorias, sempre respeitando os limites e as responsabilidades estabelecidos pela legislação vigente”.
A gestão acrescentou que a reorganização das contas públicas e o restabelecimento da regularidade no pagamento dos servidores são prioridades desde 2019, com medidas adotadas nesse sentido até o anúncio mais recente de recomposição de 5,4% nos salários de todo o funcionalismo estadual, feito na última semana.
“A medida vale para servidores ativos, inativos e pensionistas da administração direta e indireta do Estado. A recomposição será paga retroativamente a 1º de janeiro de 2026.”
A reportagem solicitou a posição do Governo diante da manutenção das paralisações dos servidores. Tão logo haja resposta, a matéria será atualizada.
Fonte: O Tempo