Contrato assinado entre Gasmig e Geomit prevê investimento de R$1 bilhão em infraestrutura para distribuir o combustível renovável produzido a partir de resíduos da cana-de-açúcar

Autoridades, representantes da Gasmig, Geomit, CMAA e da Prefeitura de Uberaba participaram da cerimônia de assinatura do contrato que viabiliza a implantação da planta de biometano no município (Foto/Luiz Ciabotti Neto)
A assinatura do contrato entre a Gasmig e a Geomit, realizada nessa quinta-feira (25), marcou o início de um dos principais projetos de produção de biometano de Minas Gerais. O acordo viabiliza a implantação de uma planta em Uberaba, em parceria com a Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), com capacidade para produzir 50 mil metros cúbicos diários do combustível renovável a partir de resíduos da cana-de-açúcar.
A operação comercial da unidade está prevista para começar em maio de 2028. O contrato representa o primeiro resultado da maior chamada pública para aquisição de biometano realizada pela Gasmig e integra a estratégia da companhia de ampliar a participação do combustível renovável em sua matriz de suprimento.
A planta utilizará resíduos da produção sucroenergética da CMAA, como vinhaça e torta de filtro, para gerar biogás, que será purificado e transformado em biometano. O combustível poderá substituir o gás natural em processos industriais, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Para levar o biometano aos consumidores, a Gasmig prevê investir cerca de R$1 bilhão na expansão da infraestrutura de distribuição de gás na região do Triângulo Mineiro. O plano contempla a implantação de aproximadamente 400 quilômetros de redes isoladas e novos pontos de interligação, permitindo o atendimento a polos industriais do interior do estado.
Segundo a distribuidora, o volume produzido em Uberaba corresponderá a aproximadamente 20% da demanda de biometano projetada pela companhia para os próximos anos. A meta é contratar até 250 mil metros cúbicos diários do combustível.
Durante a assinatura do contrato, o presidente da Cemig, Alexandre Ramos, destacou o potencial do estado para liderar o setor. “Esse contrato demonstra que Minas Gerais tem o ambiente regulatório, a matéria-prima e a capacidade de atrair investimento global para se tornar referência nacional em biometano”, afirmou.
A prefeita Elisa Araújo destacou a importância do investimento para a economia local. Segundo ela, a instalação da planta aproveita a vocação agroindustrial da região e representa a geração de oportunidades, emprego e renda para a população, além de concretizar a chegada do gás à região.
O presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi, ressaltou que a infraestrutura prevista permitirá transformar o potencial do agronegócio mineiro em geração de energia renovável. “Vamos construir a infraestrutura que permitirá ao agronegócio se tornar uma potência energética sustentável”, disse.
A escolha de Uberaba foi motivada pela forte produção sucroenergética da região e pela disponibilidade de biomassa, consolidando o Triângulo Mineiro como uma das principais áreas para a expansão da bioenergia em Minas Gerais. O empreendimento também acompanha o avanço das políticas de incentivo aos combustíveis renováveis e fortalece a estratégia de descarbonização da matriz energética estadual.