Recorrente falta de quórum para o início das plenárias no horário previsto pelo Regimento Interno, situação que se traduz em atrasos
A recorrente falta de quórum para o início das plenárias da Câmara no horário previsto pelo Regimento Interno, situação que se traduz em atrasos superiores a uma hora para o início dos trabalhos, levou a Mesa Diretora a uma decisão que surpreendeu a grande maioria dos vereadores: o encerramento da sessão desta quinta-feira sem o cumprimento da pauta. Nenhum deles, porém, deixará de receber o salário referente ao dia que seria dedicado à leitura de requerimentos e à tribuna livre – com dois convidados –, já que a medida, segundo o presidente Elmar Goulart (SD), tem caráter educativo. A Casa inclusive avalia a possibilidade de fazer uma reunião extraordinária na sexta-feira, dia 13, para compensar o dia não trabalhado, medida que tem o apoio da maioria dos vereadores. “Estou sendo complacente com os colegas, peço para chegar no horário, então hoje chegou o momento que a Mesa tomou essa decisão. [antes] Conversei com o China (vice-presidente) e com o Ripposati [primeiro-secretário]”, conta Elmar, que ontem fez duas chamadas antes de cancelar a sessã às 14h e às 14h40. Além dos três integrantes da Mesa, apenas Edmilson de Paula (PRTB) estava no plenário, ou seja, número muito distante do quórum mínimo de oito vereadores para iniciar a reunião. “Vários companheiros pedem o cumprimento do regimento, estão me cobrando e chega num ponto que não tem mais como sair. Hoje foi um alerta, porque a partir de agora vamos cumprir o regimento”, assegura Elmar, lembrando que as sessões têm que ser realizadas das 14h às 18h. O presidente, porém, não escapou de críticas daqueles que chegaram após o cancelamento da sessão. “O grande problema é que a Casa foi se deixando levar; não teve pulso firme para manter o horário das 14h”, apontou Franco Cartafina (PRB). Ele admite que já cobrou o cumprimento do horário porque fica esperando os colegas chegaram, mas avalia a medida adotada ontem como intempestiva, especialmente porque alguns vereadores estavam em eventos oficiais. Denise da Supra (PR) diz que ficou “chateada” e até “constrangida” com a decisão de Elmar, que, em sua opinião, deveria ter esperado um pouco mais. “Ele também já chegou atrasado várias vezes, bem mais do que eu”, colocou a vereadora, assim como Marcelo Borjão (DEM). “Acho que o presidente agiu errado, porque várias vezes pedimos para começar a plenária sem ele aqui”, conta o vereador, que, no entanto, considera que a medida fará com que todos cumpram o regimento. Cléber Cabeludo (Pros) reforça que Elmar causou surpresa, porque as sessões têm começado por volta de 15h, às vezes até mais tarde, mas diz acreditar que agora os vereadores chegarão mais cedo ao plenário. Para Edmilson de Paula, autor de um requerimento aprovado ainda no ano passado com objetivo de que os colegas cumprissem o regimento, a atitude deveria ter sido tomada antes, embora tenha sido “corajosa”.