O prefeito descarta o projeto e afirma que não existe viabilidade econômica para a consolidação do empreendimento, que depende de recursos do BNDES
Fot Jairo Chagas
Paulo Piau não acredita em paralisação da obra da fábrica de amônia da Petrobras, pois só a Setal foi atingida
Apesar do consórcio Toyo-Setal ter sido citado inicialmente na Operação Lava-Jato, o prefeito Paulo Piau (PMDB) não acredita que há risco de paralisação na obra da fábrica de amônia da Petrobras em Uberaba. A estatal já anunciou a suspensão de contratos com 23 empresas citadas na investigação da Polícia Federal.
Piau argumenta que apenas a Setal foi atingida na Operação Lava-Jato. Segundo ele, a construtora japonesa Toyo encabeça o consórcio responsável pela obra da fábrica e não está envolvida nas denúncias de desvio de dinheiro nas obras da Petrobras.
“Portanto, a nossa expectativa e a informação que temos é que a planta de Uberaba não sofrerá interrupção na construção”, declara.
Até agora, apenas a Setal foi incluída na lista dos 23 fornecedores que seriam temporariamente impedidos de serem contratados e de participarem de licitações da Petrobras, conforme anunciado em dezembro.
A diretoria da estatal também decidiu criar comissões para análise de aplicação de sanção administrativa e o bloqueio cautelar às empresas suspeitas de participação em cartel para obter ilegalmente contratos da petrolífera. A medida, conforme a Petrobras, é de caráter preventivo, para resguardar a companhia e as parceiras de dano financeiro e prejuízo à imagem.
No entanto, a consolidação da fábrica de amônia ainda depende da disponibilidade do gás. Para o prefeito, o gasoduto Betim-Uberaba continua sendo a alternativa mais viável, porque não apenas atenderia ao interesse da região, mas também permitiria a criação de um novo eixo de desenvolvimento no interior do Estado e condições para diversificar a economia mineira.
Questionado, Piau descarta a retomada do projeto da TGBC que traria o gás de São Carlos (SP). Ele afirma que não existe viabilidade econômica para a consolidação do empreendimento. “Depende de recurso do BNDES e não há sinalização de que esse recurso virá por causa dos custos maiores”, disse em entrevista à Rádio JM.
Segundo o chefe do Executivo, a opção do ramal de Ribeirão Preto seria a mais rápida e a mais barata, porém, existem empecilhos jurídicos e também entraves na negociação com o governo paulista para liberar a obra.