Depois de enfrentar quatro anos sem representação política na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas, Uberaba tenta recuperar sua liderança regional a partir da eleição de outubro deste ano. Para o presidente do Legislativo municipal, vereador Ismar Vicente dos Santos, o Ismar Marão, a virada de chave passa por uma construção alicerçada em diálogo, construção de consenso e, principalmente, consciência do eleitor sobre a importância do voto estratégico para fortalecer a cidade. Na véspera do aniversário de Uberaba, o presidente fala também sobre a campanha desencadeada pela Câmara para valorizar o comércio da cidade e acena com a possibilidade de estender esse apelo a outros setores da economia local.
JORNAL DA MANHÃ - A Câmara lançou recentemente uma campanha chamando o consumidor uberabense a fazer suas compras no comércio local. Quais os motivos para o Legislativo escolher esse setor? O apelo já está surgindo resultados? Outros setores também poderão ser contemplados com campanhas semelhantes?
ISMAR MARÃO - O comércio é um dos grandes motores da economia de Uberaba. Ele gera empregos, movimenta a arrecadação e sustenta centenas de famílias. Ao incentivar o consumo local, a Câmara cumpre também um papel social e econômico, estimulando que a riqueza produzida aqui permaneça circulando na própria cidade. Como vereador e presidente do Legislativo, entendo que fortalecer o comércio é fortalecer a base da nossa economia. Já percebemos uma repercussão muito positiva junto às associações comerciais e aos próprios consumidores. É uma campanha de conscientização, de médio e longo prazo. E, sim, outros setores poderão ser contemplados. A indústria, o agronegócio, o setor de serviços e o turismo também são estratégicos, e o Legislativo pode atuar como parceiro institucional na valorização de cada um deles.
JM - No final de 2025, a Câmara aprovou o projeto de lei Incentiva Centro, considerado um dos mais inovadores do país. Na sua opinião, quais devem ser os próximos passos para trazer investimentos para a região central da cidade?
ISMAR MARÃO - A aprovação da lei foi um passo decisivo, mas agora precisamos garantir sua plena implementação. O próximo passo é assegurar segurança jurídica, desburocratização e diálogo constante com investidores e comerciantes. Além disso, é fundamental investir em infraestrutura, mobilidade, iluminação e segurança no Centro. Como vereador, vejo que o Centro precisa voltar a ser um espaço atrativo para morar, empreender e conviver. A Câmara continuará fiscalizando a execução da lei e propondo ajustes, se necessários, para que os incentivos realmente se convertam em novos negócios, geração de emprego e revitalização urbana.
JM - Uberaba tem enfrentado problemas como coleta de lixo irregular, mato, obras paradas, como as passarelas na BR-050; tarifa de ônibus, gestão da rodoviária e dos cemitérios, falta de professores e impasses no transporte escolar rural. Como a Câmara pode agir para resolver ou minimizar esses impactos?
ISMAR MARÃO - O papel constitucional da Câmara é legislar e fiscalizar. Diante dessas situações, temos intensificado convocações de secretários, pedidos de informação, audiências públicas e visitas técnicas. A população precisa de respostas rápidas. No caso das passarelas da BR-050, por exemplo, é necessário diálogo com os órgãos responsáveis e acompanhamento permanente. Quanto à limpeza urbana, transporte coletivo e educação, a Câmara pode propor ajustes legislativos, emendas orçamentárias e cobrar eficiência na execução dos contratos. Mais do que apontar problemas, nosso dever é buscar soluções. E isso passa por transparência, fiscalização firme e construção de alternativas viáveis que atendam a população.
JM - Em entrevista à Rádio JM o senhor manifestou interesse em recuperar o prédio da antiga sede do Jockey Club de Uberaba para abrigar a Câmara Municipal. Em que pé estão as tratativas?
ISMAR MARÃO - Estamos em fase de estudos técnicos e jurídicos. A ideia é avaliar a viabilidade estrutural, os custos de adaptação e os benefícios para o município. Defendo essa proposta porque acredito que a Câmara precisa de uma sede à altura da importância do Legislativo e que também represente economia e valorização do patrimônio histórico. Ainda não há decisão final, mas o diálogo está aberto e sendo conduzido com responsabilidade e transparência.
JM - A Câmara aprovou a instalação de uma CEI para apurar possíveis irregularidades no contrato do lixo regional firmado entre o Convale e o município. Qual resultado o senhor espera alcançar, especialmente em ano eleitoral?
ISMAR MARÃO - A CEI não pode ter viés político-eleitoral. Ela precisa ter compromisso com a verdade e com o interesse público. O que esperamos é um relatório técnico, consistente, que esclareça eventuais irregularidades e, se houver responsabilidades, que elas sejam devidamente apontadas. A população paga impostos e merece serviços de qualidade. Independentemente de ser ano eleitoral, o dever da Câmara é fiscalizar com seriedade.
JM - O senhor tem se colocado como pré-candidato a deputado. Há outros vereadores na mesma condição. Todos efetivarão a pré-candidatura? Há votos suficientes para todos? Uberaba corre risco de ficar sem representação na Câmara Federal e na Assembleia novamente?
ISMAR MARÃO - A política é dinâmica. Nem todas as pré-candidaturas necessariamente se consolidam. Isso depende de conjuntura partidária, alianças e viabilidade eleitoral. É fato que, quanto mais fragmentados forem os votos, maior o risco de a cidade perder representatividade na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Precisamos amadurecer esse debate com responsabilidade. Uberaba é uma cidade polo, com relevância regional. Não podemos abrir mão de representação forte nos parlamentos estadual e federal. O caminho para evitar esse risco passa por diálogo político, construção de consenso e, principalmente, consciência do eleitor sobre a importância do voto estratégico para fortalecer a cidade. Pelo fato de ser o pré-candidato a deputado estadual da prefeita Elisa, tenho uma responsabilidade muito maior com a nossa cidade. Reafirmo que, acima de qualquer projeto pessoal, o compromisso com Uberaba e com a população deve vir em primeiro lugar.