Foto/Rodrigo Garcia/CMU
Dutra usou a Tribuna Livre da Câmara para exaltar o trabalho de Moro
O presidente da Câmara Municipal de Uberaba (CMU), vereador Luiz Dutra (PMDB), sugeriu que a Casa vote uma moção de aplausos ao juiz federal Sergio Moro pela condução da operação Lava-Jato, que investiga desvio de dinheiro na Petrobras para abastecer campanhas políticas.
Dutra fez a solicitação ao Departamento Legislativo após o vereador Marcelo Borjão (sem partido) lembrar que organizadores do movimento Acorda Uberaba estarão no dia 10 no plenário da CMU. O movimento promoverá um protesto no dia 13 de março contra o PT e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Durante a primeira reunião ordinária do mês de março, Dutra fez uso da Tribuna Livre para o que ele chamou de desabafo. Não citou nomes nem de políticos e nem de partidos, mas de forma indireta teceu críticas ao governo federal, a quem classificou de sem comando. “O governo, principalmente o federal, encontra-se desgovernado”, afirmou Dutra.
Ele também elogiou a conduta do juiz Sergio Moro, que na última sexta-feira (4) expediu mandado para que o ex-presidente Lula fosse depor de forma coercitiva na Polícia Federal. A atitude de Moro gerou muitas críticas no meio jurídico. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi um dos que discordaram da condução coercitiva. Ele disse que só concebia a medida se houvesse recusa do intimado a comparecer ao depoimento.
Dois juristas, ex-integrantes do governo Fernando Henrique Cardoso, criticaram, em entrevista à BBC Brasil, a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor à Polícia Federal. Ambos também consideram errados os recentes vazamentos de documentos sigilosos da operação Lava-Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras.
José Gregori, que foi ministro da Justiça (2000-2001) e secretário de Direitos Humanos (1997-2000) de FHC, considerou a condução coercitiva um "exagero". Já Walter Maierovitch, ex-secretário nacional Antidrogas de FHC, viu "ilegalidade" na decisão de Moro. "Acho que buscas e apreensões são atividades normais em investigação. Agora, o que eu estranho, como jurista, é a condução coercitiva do Lula. É algo surpreendente e preocupante", notou.