Após a regularização da volta às aulas na esfera particular, professores da rede do Triângulo Mineiro decretam estado de greve por tempo indeterminado, a partir desta quarta-feira (5). A reivindicação tem centro nos cortes de benefícios feitos por donos das unidades escolares e retoma a exigência pela priorização dos profissionais no processo de vacinação.
Em nota, a categoria listou uma série de desacordos entre professores e gestores das escolas, como a negativa do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Triângulo Mineiro (Sinepe) sobre a recomposição dos salários dos últimos dois anos. Além disso, o Sinepe apresentou a proposta de retirar as bolsas de estudos dos filhos de professores, a flexibilização de férias coletivas e alterar os adicionais extraclasse.
De acordo com as informações, os professores representados pelo Sindicatos dos Professores de Minas Gerais (Sinpro) aceitaram o reajuste da inflação do período e a renovação da convenção coletiva, mas abriram mão de outras reivindicações pela compreensão da criticidade do momento.
Além disso, o segmento relembra o decreto nº 481, de 19 abril, que regularizou a volta às aulas em Uberaba sem a vacinação dos professores. Ainda, o comunicado aponta descaso dos gestores escolares com os professores por optarem pela “manutenção dos lucros”.
Contudo, o estado de greve não significa paralisação. Agora, outra Assembleia Geral pode ser convocada e a partir da reunião, os professores podem decidir sobre o congelamento das atividades por tempo indeterminado.
Leia a nota na íntegra:
Professores das Escolas particulares do Triângulo Mineiro aprovaram ontem a noite em Assembleia da categoria estado de GREVE a partir de hoje, 05/05.
O estado de greve significa que a qualquer momento outra Assembleia Geral pode ser convocada e deliberar por paralização das atividades por um dia ou por tempo indeterminado.
A luta dos professores é dupla:
Com Data Base de negociação coletiva sendo 1o. de abril e salários congelados desde 2019, o SINEPE-TM, sindicato que representa as Escolas Particulares no Triângulo Mineiro tem se negado a negociar tanto no aspecto econômico não aceitando nem mesmo a recomposição dos salários dos últimos dois anos e apresentando como contra proposta retirar direitos históricos da categoria, como por exemplo bolsas de estudos garantindo educação de seus filhos ou dependentes, flexibilização de férias coletivas, alteração dos adicionais extraclasse e tempo de serviço e a consolidação de perda salarial.
Em negociação que vem sendo protelada de forma injustificada professores representados pelo SinproMinas compreendendo o período crítico vivido nesse tempo de Pandemia, abriram mão das reivindicações que constavam na pauta reivindicatória 2021, para aceitar apenas a renovação da Convenção Coletiva em vigência e o reajuste da inflação do período.
Os professores que, desde o início da decretação da Pandemia têm desenvolvido suas atividades com total dedicação, mantendo o atendimento escolar de dentro de suas casas, com uma carga horária mais que duplicada, altos gastos próprios com tecnologia, quer sejam em melhoria dos planos de acesso à internet e/ou aquisição de novos equipamentos que atendam à qualidade exigida por pais, alunos e instituições que trabalham de forma remota. Ressaltando que no caso de Uberaba, foram obrigados a partir do dia 19 de abril passado retornar presencialmente às escolas colocando em risco suas vidas, de seus familiares e seus alunos.
Mesmo o SinproMinas se posicionando contrário ao retorno antecipado das aulas presenciais, donos de escola, representados pelo SINEPE/TM insistem em manter essa situação deixando claro o descaso pela vida e a opção pela manutenção dos lucros transformando a educação em mero artigo do mercado financeiro.
A decisão do Estado de GREVE, é um aviso aos donos da escola que essa proposta apresentada pelas escolas particulares do Triângulo Mineiro de retirar direitos históricos não será aceita pela categoria. E a unidade e luta das professoras e professores resistirão de todas as formas essa injustiça.