Entrada em tramitação do projeto de lei de autoria de Tony Carlos provocou verdadeira saraivada de críticas do presidente da CMU
A entrada em tramitação do projeto de lei de autoria do vereador Tony Carlos (PMDB) – tendo Marcelo Borjão (DEM) e Ripposati/Betinho (PSDB) como coautores – visando a garantir que os mototaxistas exerçam a atividade através de credenciamento, e não via leilão de placas, provocou uma verdadeira saraivada de críticas do presidente da Câmara, Luiz Dutra (PDT). Não pelo conteúdo da matéria em si, mas pelo que o pedetista chamou de esperteza [do peemedebista] e ação inoportuna. Para se justificar, Dutra disse que existem conversas em curso para que o Executivo encaminhe texto similar, já que se partir do Legislativo, assegura que cairá na inconstitucionalidade, ou seja, para ele, o colega atravessou onde não deveria. O líder governista Cléber Cabeludo (PMDB) fez coro com o presidente a afirmou que ficará em situação difícil porque não vota em projeto que não seja constitucional. Ambos são os vereadores mais envolvidos com a regulamentação da atividade de mototaxistas, e para Tony – que não estava no plenário durante as críticas – a reação não passa de ciúmes. Ele foi duro com Dutra, declarando que “lamenta a atitude daqueles que se acovardam atrás das cortinas, nas entrelinhas e não falam na frente”. Na véspera, o peemedebista havia conseguido aprovar duas emendas ao projeto que revogou o artigo que garantia o exercício da profissão àqueles trabalhadores com cinco anos ou mais de atividade, alterando a terminologia concessão, por permissão, e a proporção dessas permissões, passando de 200 para 90 veículos a cada 100 mil habitantes, totalizando 660 mototáxis. “Quando o presidente usou da palavra para criticar o projeto, entendi que ali havia ciúmes. Não sou e não quero ser pai da matéria [que regulamentou a profissão], entrei [com a proposta de credenciamento] porque os mototaxistas me chamaram para defendê-los. Não entendi por que ele [Dutra] veio com pau e pedra para cima de mim”, desabafou Tony, acrescentando que não tem que perguntar ao Executivo que proposições pode trazer à Câmara, já que não foi eleito por lá, e sim pela população. Ele foi defendido pelos coautores da proposição, tendo Ripposati disparado que a Casa é democrática e os vereadores têm o direito de apresentar suas propostas. Borjão disse que é preciso parar com ciumeira porque todos devem atuar para a categoria e garantir alternativa ao leilão. “Não vim aqui para ser esperto, mas para trabalhar com seriedade”, pontuou.