EXISTE A PRIMEIRA VEZ

Quem mandou dinheiro para Uberaba? Nova plataforma mostra emendas por parlamentar

Ferramenta reúne dados estaduais e federais e permite consultar valores, áreas atendidas e estágio de execução

Joanna Prata
Publicado em 28/07/2026 às 16:39Atualizado em 28/07/2026 às 17:27
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(Divulgação)

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 Os recursos de emendas parlamentares destinados a Uberaba podem ser acompanhados, pela primeira vez, em uma única plataforma. Lançado pelo Instituto Tiradentes, o Fiscaliza Minas reúne informações do Sistema de Gestão de Convênios, Portarias e Contratos do Estado de Minas Gerais (SIGCON-MG), da Secretaria de Estado de Governo, e do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União (CGU), permitindo ao cidadão verificar quem destinou recursos ao município, para quais áreas e em que estágio está a execução. O levantamento referente ao período de 2022 a 2026 mostra que a maior parte das emendas cadastradas para Uberaba já foi concluída, embora ainda existam recursos pendentes ou cancelados, principalmente entre as indicações feitas neste ano.

A consulta também revela uma situação que pode causar estranheza ao leitor: parte dos recursos foi destinada por parlamentares que atualmente não ocupam mais uma cadeira na Câmara dos Deputados. É o caso de Franco Cartafina (PP), Aelton Freitas (PP) e Júlio Delgado (PSB), cujas emendas continuam aparecendo na plataforma. Isso ocorre porque o painel registra a execução financeira dos recursos, e não apenas a legislatura vigente. Assim, uma emenda apresentada quando o parlamentar exercia mandato pode continuar sendo paga em exercícios posteriores, inclusive de forma parcelada.

A saúde lidera, com folga, o destino dos recursos. Entre as maiores transferências individuais registradas estão R$ 9 milhões, destinados pelo deputado federal Maurício do Vôlei (PL) em 2024; R$ 7 milhões da deputada federal Ana Paula Leão (PP) em 2025; R$ 6,35 milhões do então deputado Aelton Freitas (PP) em 2023; além de aportes superiores a R$ 1 milhão de parlamentares como Franco Cartafina (PP), Pedro Aihara (PRD), Nely Aquino (Podemos), Zé Vitor (PL) e da própria Bancada Federal de Minas Gerais. Educação, cultura, esporte, assistência social, segurança e obras também aparecem entre as áreas contempladas, mas com volumes significativamente menores.

No recorte das emendas estaduais, a base da Assembleia Legislativa de Minas Gerais também mostra volumes expressivos destinados a Uberaba entre 2022 e 2026. O maior valor indicado no período aparece em nome do deputado Delegado Heli Grilo, com R$ 8,16 milhões em 26 indicações. Em seguida estão Bruno Engler, com R$ 5,93 milhões em 34 indicações; Charles Santos, com R$ 1,59 milhão; Bosco, com R$ 1,3 milhão; e Marli Ribeiro, com R$ 1,2 milhão. Também aparecem entre os maiores volumes o Bloco Minas São Muitas, com R$ 1,16 milhão; o Bloco Democracia e Luta, com R$ 1,12 milhão; o Bloco Minas em Frente, com R$ 1,12 milhão; Raul Belém, com R$ 1,07 milhão; e a Bancada PL, com R$ 960 mil. Ao todo, a base estadual registra 153 indicações para Uberaba no período, somando R$ 32,2 milhões em valor indicado e R$ 22,5 milhões em valor pago atualizado.

O cruzamento das informações da plataforma com o resultado das eleições de 2022 em Uberaba acrescenta outra camada de análise. Entre os deputados estaduais eleitos com votação no município, Bruno Engler (PL) aparece como o mais votado na cidade, com 7.370 votos, e também figura entre os maiores volumes de emendas estaduais indicadas para Uberaba, com R$ 5,93 milhões. Charles Santos (Republicanos), que recebeu 1.791 votos, aparece com R$ 1,59 milhão em valor indicado. Raul Belém (Cidadania), com 389 votos, soma R$ 1,07 milhão; Bosco (Cidadania), com 186 votos, registra R$ 1,3 milhão; e Marli Ribeiro (PSC), com 43 votos, aparece com R$ 1,2 milhão.

A comparação também mostra que nem todos os deputados estaduais eleitos que tiveram votação em Uberaba aparecem entre os maiores volumes indicados para o município no levantamento. É o caso de Sargento Rodrigues (PL), com 1.436 votos; Beatriz Cerqueira (PT), com 1.338; Noraldino Júnior (PSC), com 633; Caporezzo (PL), com 507; entre outros.

A comparação não esgota a atuação dos parlamentares, nem significa ausência total de destinação de recursos, já que o levantamento considera os maiores volumes identificados nas bases consultadas. Ainda assim, os dados permitem ao eleitor observar a relação entre votação recebida no município, indicações de emendas e execução dos recursos públicos.

Outro aspecto observado é que praticamente todas as emendas federais cadastradas entre 2022 e 2025 aparecem como 100% executadas. Já entre as emendas estaduais de 2026 há um cenário diferente. Enquanto parte dos recursos já foi integralmente aplicada, diversas indicações ainda aparecem com 0% de execução ou como canceladas, especialmente em emendas do deputado estadual Bruno Engler (PL), da Bancada do Partido Liberal e do Bloco Democracia e Luta. A plataforma, porém, não permite concluir que esses recursos foram perdidos ou deixaram de ser destinados. A execução depende de etapas administrativas, como celebração de convênios, apresentação de documentos pelo município, empenho, liberação financeira e prestação de contas. Em alguns casos, a própria emenda pode ser cancelada antes da transferência.

O cruzamento das informações da plataforma com o resultado das eleições de 2022 em Uberaba acrescenta outra camada de análise também entre os deputados federais. Entre os mais votados pelos eleitores uberabenses, aparecem parlamentares como Franco Cartafina (PP), Nikolas Ferreira (PL), Aelton Freitas (PP), André Janones (Avante), Dandara (PT), Zé Silva (Solidariedade) e Reginaldo Lopes (PT), todos com registros de emendas destinadas ao município em diferentes exercícios. Nesse cenário, o painel passa a funcionar como uma ferramenta de transparência que permite ao eleitor confrontar o apoio recebido nas urnas com uma das formas de atuação parlamentar, oferecendo informações objetivas para avaliar a destinação de recursos públicos, especialmente em um ano eleitoral.

A plataforma também registra situações curiosas, como emendas de apenas R$ 2, R$ 3 e R$ 634. Segundo o Instituto Tiradentes, esses valores não representam novas indicações de recursos, mas parcelas residuais de emendas maiores que foram pagas de forma fracionada e, por isso, aparecem individualmente no sistema. A entidade informa ainda que a base é atualizada diariamente por um robô de coleta de dados e admite que podem ocorrer inconsistências pontuais, embora afirme que os casos identificados até o momento sejam raros.

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